Ministro João Soares em rota de colisão com António Lamas, administrador do CCB

Ministro João Soares em rota de colisão com António Lamas, administrador do CCB
O Ministério da Cultura indicou hoje que o ministro João Soares irá agir "em conformidade com a lei" sobre a permanência em funções do presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural de Belém (CCB), António Lamas.
 
António Lamas, presidente do CCB desde outubro de 2014, era o responsável pela Estrutura de Missão da Estratégia Integrada de Belém, criada pelo anterior Governo PSD-CDS, e extinta na semana passada, em Conselho de Ministros.
 
Na sequência desta extinção, o ministro João Soares tinha declarado ao semanário Expresso que António Lamas "devia tirar as devidas consequências", considerando o projeto "um disparate total" e que era "condenável".
 
Hoje, em declarações ao jornal Público, António Lamas garante que "ainda" é o presidente do CCB e que não pensa demitir-se.
 
Contactado pela agência Lusa sobre estas declarações do presidente do CCB, Horácio Vale César, adjunto do ministro João Soares e porta-voz do Ministério da Cultura, respondeu que, “apesar de António Lamas ter associado, em declarações públicas, a permanência nas suas funções à implementação do chamado 'Eixo Belém-Ajuda', e de este projeto ter sido revogado no Conselho de Ministros da semana passada, o ministro da Cultura não recebeu qualquer pedido de demissão ou indicação de colocação do lugar à disposição”.
 
“Tendo em conta a sua pública reprovação do referido plano, o ministro agirá em conformidade com a lei”, disse numa resposta por correio eletrónico.
 
No comunicado divulgado há uma semana pelo Conselho de Ministros, em Lisboa, a decisão da extinção foi feita "pelo não envolvimento no projeto da Câmara Municipal de Lisboa, que deve ser um parceiro privilegiado em qualquer modelo de gestão de uma parte importante da cidade de Lisboa".
 
A Estrutura de Missão tinha como objetivo criar um plano estratégico em Belém, onde se concentra um grande conjunto de equipamentos culturais, jardins, museus e monumentos, alguns deles dos mais visitados do país, nomeadamente o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Museu Nacional dos Coches.
 
O 'Eixo Belém-Ajuda' compreendia o Museu dos Coches, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e o Palácio da Ajuda, e ainda o Museu Nacional de Arqueologia, o Museu de Marinha, o Museu da Presidência da República, a Capela de São Jerónimo, o Museu de Arte Popular e o Museu Nacional de Etnologia.
 
António Lamas iniciou funções no CCB a 28 de outubro de 2014, data em que o então secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou que ficava incumbido de criar "um projeto de gestão integrada do eixo Belém-Ajuda, articulando-se entidades e equipamentos de responsabilidade institucional de diferentes tutelas".
 
Nascido em Lisboa, em 1946, António Ressano Garcia Lamas é formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, onde foi professor catedrático, e foi presidente do Instituto Português do Património Cultural, da Junta Autónoma de Estradas e do Instituto de Estradas de Portugal.
 
Foi, desde 2006, presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra Monte da Lua, entidade que gere o Parque e Palácio da Pena, os Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, o Chalet da Condessa d’Edla, o Castelo dos Mouros, o Palácio e Jardins de Monserrate, o Convento dos Capuchos e a Escola Portuguesa de Arte Equestre.
 
António Lamas sucedeu, na presidência do CCB, ao escritor Vasco da Graça Moura, falecido em abril de 2014.