Ministério da Agricultura equaciona alterar gestão da Tapada Nacional de Mafra

Ministério da Agricultura equaciona alterar gestão da Tapada Nacional de Mafra
O Ministério da Agricultura reconhece que existe "grande perigo de incêndios" e faltam intervenções na Tapada de Mafra, pelo que equaciona alterar o modelo de gestão, refere um ofício, a que a Lusa teve hoje acesso.
 
A tutela "está a proceder à avaliação da atual situação [da Tapada] para, em função dela, tomar decisões quanto ao modelo de gestão", refere um ofício enviado dia 05 em resposta ao vereador do PS na Câmara de Mafra Sérgio Santos.
 
Desde há vários anos que a Câmara de Mafra quer ter uma participação mais efetiva na gestão da Tapada, que é gerida por uma cooperativa detida maioritariamente pelo Estado e em que a autarquia também participa, além de outras entidades.
 
Em novembro de 2014, a Assembleia Municipal daquele concelho decidiu, por unanimidade, propor ao Governo uma alteração dos estatutos e do capital social da Tapada para o município vir a ter uma "posição mais efetiva na gestão" e minimizar "obstáculos à gestão".
 
O município defendia que deveria aumentar a sua participação de 22 para 33,62%, enquanto o Estado deveria manter uma posição maioritária, reduzindo-a, contudo, dos atuais 68 para 51%, concentrando-os apenas no Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em vez de estar representado por vários organismos.
 
Em alternativa, tem vindo a defender a integração da Tapada na empresa "Parques de Sintra & Mafra Monte da Lua".
 
O presidente da Câmara de Mafra, Hélder Sousa Silva (PSD), disse à agência Lusa que as propostas já foram apresentadas em 2016 ao atual ministro.
 
Todavia, a tutela continua sem tomar uma decisão, como confirma num ofício de dia 07 enviado em resposta à Câmara de Mafra.
 
O Ministério da Agricultura admite que, nos últimos anos, "não foram realizadas quaisquer operações destinadas a proteger a Tapada de incêndios florestais, designadamente operações de gestão de combustível, de fogo controlado, de regularização de caminhos ou de abertura de faixas de contenção de incêndios".
 
Aquele espaço está por isso "numa situação de grande perigo e de pouca resiliência a incêndios florestais" face à existência de mato.
 
Também o património edificado e os caminhos carecem de obras de requalificação, mas a Tapada não dispõe de maquinaria para o efeito.
 
Face à "escassa colaboração" da Câmara de Mafra que, os últimos dez anos, não efetuou "quaisquer investimentos", à exceção da requalificação de um jardim, a Tapada estabeleceu este ano uma parceria com o município de Torres Vedras.
 
O autarca de Mafra discordou, sublinhando que, por "querer fazer parte da solução", propôs em 2014 ter "uma maior participação", mas continua à espera por uma decisão do Governo "o mais breve possível".
 
A câmara vizinha cedeu máquinas que, no início de maio, integravam ações de limpeza, quando a associação ambientalista Quercus veio alertar para o corte de cinco sobreiros sem autorização do ICNF.
 
A tutela esclareceu que, no âmbito de trabalhos de gestão florestal relacionados com a preparação da época de incêndios, "foi necessário remover dois troncos secos, uma árvore manifestamente seca e outra decrépita", que impediam a circulação de veículos de emergência e que "estavam na eminência de cair sobre a via".
 
A Tapada de Mafra recebe cerca de 80 mil visitantes por ano.
 
Possui 800 hectares, onde vivem 500 animais de 60 espécies diferentes, entre gamos, veados, javalis, aves como a águia de Bonelli ou o bufo real, répteis como salamandras, tritões e cobras e uma floresta exuberante com árvores de interesse público, como o castanheiro-da-índia, a olaia e o sobreiro. É ainda o único abrigo de morcegos na região de Lisboa e Oeste.