Mila Ferreira está de volta aos palcos com novo disco

Mila Ferreira está de volta aos palcos com novo disco

Foi num espaço onde se sente absolutamente em casa, no Instituto de Beleza Espelho Meu, em Lisboa, que Mila Ferreira apresentou ao Jornal da Região o novo disco que acaba de editar. Espelhando precisamente orgulho no CD que vê agora chegar às lojas, a cantora mostrou-se mais feliz que nunca e, como sempre, com uma energia reconfortante.

A Mila acaba de ver chegar às lojas um novo disco: “Sopro da Alma”. Apresente-nos este trabalho. É a verdadeira alma de Mila que encontramos aqui?

O nome foi muito bem escolhido porque espelha a alma em todas as suas vertentes. A alma é um veículo de expressão de todos os sentimentos que cabem numa alma. Uma alma nem sempre é doce, nem sempre é calma, nem sempre é meiga. Também expressa ansiedade, saudade...

E encontramos isso tudo neste disco?

Tudo. Encontramos os sentimentos e os lugares espirituais onde eu passei a minha infância e onde agora escrevi estas músicas. Digamos que mergulhei no meu interior e procurei encontrar aquilo que eu queria partilhar com as pessoas e aquilo que as próprias pessoas gostariam de ouvir. Na verdade, a minha preocupação foi dar luz, força e esperança às pessoas.

É um CD que reflecte a verdadeira Mila?

Eu diria que é o CD da minha vida porque escrevi nove letras, nove coisas que me tocam profundamente. Foi um processo muito moroso. Às vezes, temos que parar e definir o nosso estilo. Descobrir o nosso estilo. E isso às vezes é o mais difícil. Um cantor é diferente de todos os outros porque tem um estilo próprio, tem uma alma. Eu já tinha descoberto isso no CD anterior, com cinco músicas que davam um laivo daquele que seria o meu estilo. O que eu pretendi aqui foi que isso se espalhasse por todo o CD. Houve um crescimento brutal de mim enquanto intérprete. Ser intérprete não é apenas dar voz, é saber usar a voz.

Está muito orgulhosa deste novo trabalho?

Estou muito. Eu aqui não fui só co-produtora como até editora do trabalho. Todas as fases passaram por mim. Toda a concepção gráfica. As minhas letras têm todas muitas paisagens e conseguimos aqui evidenciar essas paisagens espirituais.

A Mila teve necessidade de sair de Lisboa para fazer este trabalho?

Digamos que eu sou da província: a minha infância e o meu crescimento enquanto mulher deu-se no meio da chuva, dos campos, a subir às árvores, descalça nos rios, a apanhar peixinhos. Foi sempre nesse ambiente que me senti mais confortável. Depois, claro que aprendi a viver no cimento, quando aos 19 anos vim estudar para Lisboa. Mas a verdade é que é na minha casa de campo, ao pé da Lourinhã, que me refugio nas minhas paisagens. E o que eu quero com este disco é levar as pessoas até aos locais onde estive a pensar nestas músicas.

A Mila ainda exerce advocacia?

Eu faço tudo, mas como sabe o país está em crise e de facto nos últimos anos tenho feito muito poucos trabalhos de Direito. Mas sempre que sou solicitada faço, claro. Além disso, dou aulas de fitness.

Uma verdadeira mulher dos sete ofícios... Trabalha muitas horas por dia?

Muitas. Aliás, eu posso dizer que nos últimos três anos não há fins-de-semana nem férias naquela casa.

É preciso muita energia?

Sempre, muita energia, em tudo. Eu faço as aulas todas e sempre com muito ritmo. Melhor do que explicar um exercício é fazê-lo, até porque também entra aqui o factor motivador. O facto de eu fazer tudo, é altamente motivador.

E eu vivo muito tudo aquilo que faço. À noite faço sempre o balanço de como correu o meu dia. Agora estou a atravessar uma fase de muitas entrevistas e promoções do CD. Mas eu sou assim, faço questão de defender e dar a conhecer o meu trabalho até à última pinga de sangue.

Estou a passar uma fase de muito trabalho, mas estou muito feliz. Ainda que colectivamente, estejamos a passar um momento conturbado, a verdade é que, em termos de realização pessoal, estou plena. Posso até não vir a ter o retorno económico que teria noutra altura com um disco assim, mas aqui o que interessa é o ‘feedback’ espiritual. O que as pessoas podem tirar deste CD, onde a minha linha orientadora foi sempre dar luz, força e esperança!

Texto: Ana Raquel Oliveira

Foto: Filipe Guerra