Micaela é apaixonada pelo Verão

Micaela é apaixonada pelo Verão

De sorriso fácil e com uma simpatia contagiante, Micaela falou com o Jornal da Região sobre tudo o que faz dela a pessoa que é. Cantora, mãe e de coração muito solidário, esta menina-mulher de 33 anos fez virar muitas cabeças ao passar a tarde na praia de São João da Caparica, muito perto de sua casa. Com um novo CD a celebrar 20 anos de música, a cantora levantou o véu sobre como gosta de viver a época quente.

A Micaela é uma mulher de praia ou de campo?

Na verdade sou muito das duas coisas e, até se possível, tudo no mesmo dia. Passei a minha infância no campo e gosto muito. Gosto muito de piqueniques e adoro, por exemplo, passar um bom dia no campo, muito perto da praia para no fim poder dar um mergulho no mar. Aproveitar o sol e todo o ambiente que o Verão nos proporciona para estar na rua, aproveitar a luz... ficamos sempre mais bem-dispostos, os dias são maiores...

É então, definitivamente, uma mulher do Verão?

Sim, sem dúvida. Mas também gosto muito do Inverno. Especialmente aquela ideia de poder pegar nos miúdos e ir até à Serra da Estrela brincar na neve. Mas acima de tudo eu sou uma apaixonada pela vida e por tudo o que a vida me dá.

E as férias, como é que vão ser?

Férias, férias, não tenho. Aproveito alguns dias livres durante a semana para estar com os miúdos e fazer algo de diferente com eles. Tenho os fins-de-semana ocupados e por isso, de segunda a quinta-feira, tento organizar-me e passar o melhor tempo com eles, na praia, a jogar à bola, a fazer o que eles gostam. Isto acaba por ser complicado porque no Verão não tenho férias e no Inverno eles têm escola. Antes ainda dava para tirar uns dias em Outubro, mas com o começo da escola a sério isso acabou.

Fala com verdadeira paixão dos seus filhos... é uma pessoa muito ligada à família?

Muito, muito. Sou caranguejo e tenho esse lado de ser muito agarrada à família. Eu costumo dizer que tenho três profissões: sou cantora, sou mãe e sou filha! A música é a profissão que eu amo, mas sou muito familiar...

E temos um novo CD?

Sim, “20 anos”. É um CD que pretende comemorar 20 anos maravilhosos e eu costumo brincar e dizer que voltava a fazer tudo igual. Não deixava de fazer nada do que fiz.

E vai estar em concertos por este país fora, com essa energia?

Sim. Mesmo num ano difícil como este, em que se nota que há cortes, sobretudo nas festas, eu vou andar por aí em concertos.

Ao mesmo tempo foi também rosto do programa “A tua cara não me é estranha”, da TVI?

Sim. Foi uma experiência que adorei. Participei na segunda temporada e foi das melhores coisas que já vivi. E uma coisa é certa, medo de estar em palco é coisa que nunca mais hei-de ter porque eu até de homem fiz e correu bem. Por isso, se numa próxima encarnação eu for homem, sei que não me vou atrapalhar!!!

Quando a convidaram, sabia que o programa ia ter assim tanto sucesso?

Eu já tinha visto a primeira temporada e percebi logo que era um estrondo. É um programa ‘prime-time’ e é o programa com mais audiência daquela hora. E foi um sucesso, superando mesmo as minhas expectativas.

As pessoas abordaram-na na rua?

Foi uma loucura. Mesmo. Chegou a acontecer-me estar no trânsito, num sinal vermelho e uma pessoa num carro ao lado, abrir o vidro e perguntar-me o que ia cantar na semana a seguir, por exemplo. E o mais extraordinário é que as pessoas pedem algumas das músicas que cantei no programa. Por exemplo, uma das músicas que me pedem muito para cantar e que eu integro na digressão que agora levo pelo país é o “Anzol” dos Rádio Macau. E de repente é ver uma quantidade enorme de gente a cantar comigo, das crianças aos mais velhos. É muito bom. E é aí que eu digo que tudo valeu a pena.

Nota-se que é feliz...

Sim, muito feliz nestes 33 anos de vida, desde o primeiro dia em que sorri para a vida que aproveito da melhor maneira tudo o que me dão. Sou positiva.

E também tem um lado muito solidário?

Sou ultra mega solidária! Sempre fui, mas antes de uma forma muito menos conhecida. Há uns tempos para cá com a minha ligação à (Fundação Sueca) Agape fiquei um bocadinho mais exposta, no sentido de conseguirmos mais apoio e trazermos mais material para Portugal.

Que material é esse?

No fundo é material hospital como camas, cadeiras de rodas, andarilhos, dos hospitais e lares da Escandinávia que, ao fim de um tempo de utilização, precisam de ser desinfectados, algo que sai mais caro do que comprar novo e, por isso, eu consigo trazer para cá, porque era deitado fora, e oferecer a quem mais precisa.

E está feliz com o que tem vindo a conseguir?

Estou, mas também não escondo o meu desânimo por ver que este país não protege os nossos. Eu costumo dizer que estou feita, mas não estou acabada e, por isso, nunca saberei o que posso vir a precisar. E pensar que um dia posso precisar de uma cadeira e tenho que ficar em lista de espera, assusta-me... Já passei por muitos dissabores, mas conquistar o sorriso de uma criança compensa tudo e os meus filhos já partilham esta minha faceta comigo e isso também é muito bom!

Texto: Ana Raquel Oliveira