Metro de Oeiras poderá chegar ao Cacém

Metro de Oeiras poderá chegar ao Cacém

A Câmara de Oeiras continua determinada em prolongar a linha de metro de superfície SATU até ao concelho de Sintra. A proposta, que implica um investimento municipal de dez milhões de euros, foi já aprovada pela Assembleia Municipal de Oeiras. Resta saber se o município de Sintra também estará disponível para entrar no projeto. 

Com os votos favoráveis do movimento independente Isaltino Oeiras Mais à Frente (IOMAF), que lidera a Câmara de Oeiras, e pelo PSD, a proposta refere-se ao compromisso autárquico de investir 10 milhões de euros, a repartir pelas três fases de extensão do metro de superfície - Sistema Automático de Transportes Urbanos (SATU) - até ao Cacém (Sintra), em função dos quilómetros no território de Oeiras, num total de 10,490 metros em cada fase.

No entanto, a quantia só será paga na condição de que 75% do total de investimento seja financiado por fundos comunitários.

Para o IOMAF, a Câmara de Oeiras está a cumprir o compromisso assumido de "tudo fazer para encontrar uma solução para o SATU".

"A nosso ver, isso passa por fazê-lo chegar ao Cacém se houver financiamento para isso. Se por algum motivo isto não for avante, que não seja atribuída à Câmara de Oeiras qualquer responsabilidade", acrescentou o líder da bancada, António Moita.

De acordo com o social-democrata Valdemar Almeida, o projecto é "de vital importância para o concelho e toda a área metropolitana de Lisboa" e poderá ser uma resolução às dificuldades nos transportes públicos e mobilidades presentes no concelho.

PS, CDS-PP, Bloco de Esquerda, PAN e CDU votaram contra, por defenderem que o atual sistema só tem prejudicado o concelho.

"O SATU é um projecto falido, sem viabilidade. Não é um transporte atractivo para as pessoas", afirmou o líder da bancada do PS, Pedro Almeida.

Já Pedro Jorge, do CDS-PP, considerou que este projecto é "uma fuga para a frente do executivo" e que "responsabilizar o Governo, se não forem aprovados os fundos comunitários, não deixa a câmara sem responsabilidade".

Para o líder da bancada comunista, Joaquim Cotas, esta "telenovela" deve "ter um fim" e "continuar a pensar em levar o SATU até ao Cacém é uma utopia".

Também para Feliciano Bernardo, do Bloco de Esquerda, "o SATU não é a opção correcta" e sugeriu elaborar um estudo no prazo de um ano para perceber quais as alternativas de transporte mais sustentáveis e com outras condições de financiamento.

O presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas, lembrou que prometeu aos eleitores que tudo faria para concretizar o projecto do SATU.

"Da nossa parte, não quero que fique nenhuma decisão por tomar. Se hoje tenho aqui esta proposta é porque tive uma reunião com o secretário de Estado dos transportes e o presidente da Câmara de Sintra e não me foi dito que havia intenção de não apoiar este projecto", explicou.

O autarca sublinhou que os 10 milhões de euros previstos de investimentos estarão inscritos no próximo orçamento, portanto "está assegurada a responsabilidade da autarquia para concretizar o projeto", defendeu.

Segundo a autarquia de Oeiras, prevê-se que o sistema SATU venha a atingir cerca de 30 mil passageiros.

A ligação Algés - Cacém, que irá interligar as linhas férreas de Sintra e Cascais, integra o projeto de expansão do SATU perspetivado há vários anos.

Das principais áreas a ser servidas por este projeto serão os parques empresariais do Lagoas Park e do Taguspark, onde trabalham mais de 16 mil pessoas, o Instituto Superior Técnico e a Universidade Católica e, ainda, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), os aglomerados populacionais de Paço de Arcos, Porto Salvo, São Marcos e Cacém.

O SATU de Oeiras é gerido pela Câmara de Oeiras (51%), em parceira com a empresa privada Teixeira Duarte (49%).

No actual trajecto de cerca de 1,2 quilómetros entre Paço de Arcos e o Oeiras Parque, o SATU regista uma média diária de 550 passageiros.