Médicos queixam-se do tempo que passam ao computador

Médicos queixam-se do tempo que passam ao computador

A Ordem dos Médicos (OM) apela ao ministro da Saúde para que não transforme os médicos em “burocratas informáticos”, alertando para a cada vez maior falta de tempo que os clínicos têm para dar atenção ao doente.

Em comunicado, a Ordem dos Médicos revela que, apesar de a introdução de aplicações informáticas nos centros de saúde ter corrido bem até ao último ano, atualmente médicos de todo o país “reportam uma progressiva e importante diminuição do tempo disponível para a interação com o doente, para poder satisfazer a catadupa de registos inerentes a cada programa e cada consulta”.

Na opinião da Ordem, a aplicação da Prescrição Eletrónica Médica (PEM) veio “agravar dramaticamente” o problema, devido ao “enorme aumento” do tempo necessário para as prescrições e às “frequentíssimas falhas do sistema”.

Isto acaba por traduzir-se não só em “sobrecarga técnica” mas também numa “inaceitável sobrecarga emocional”, pela consciência de se poderem cometer erros iminentes, dada a dispersão da atenção e a consequente ansiedade, acrescenta a Ordem.

Acresce a isto, o facto de em muitas instalações dos Cuidados de Saúde Primários se verificar uma reduzida largura de banda informática, decorrente da ativação de mais postos de trabalho e da maior complexidade dos programas informáticos, e a desadequação do hardware, sublinha a OM.

Estes problemas já levaram alguns centros de saúde a “uma situação de rutura total”, acrescenta.

Um desses casos deu-se com a Unidade de Cuidados de Saúde primários de Beja (Sede e Extensões), que suspendeu, desde 27 de janeiro e por decisão da sua coordenadora, os atendimentos dependentes de registo informático, mantendo contudo a assiduidade ao serviço e assegurando todas as situações de doença aguda e receituário premente, garante a OM.

“Em face deste panorama, cada vez mais complexo, difícil, stressante e obrigando a maiores perdas de tempo, a Ordem dos Médicos apela ao Senhor Ministro da Saúde para que não transforme os médicos em burocratas informáticos e para que não sobreponha os indicadores às necessidades dos doentes e da boa medicina”.

A Ordem apela ainda à tutela para que “obrigue” os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) a resolver todos os constrangimentos informáticos do Serviço Nacional de Saúde.