Maternidade de Torres Vedras encerra na sexta-feira

Maternidade de Torres Vedras encerra na sexta-feira

As parturientes que eram atendidas na maternidade de Torres Vedras vão ser transferidas para as Caldas da Rainha a partir de sexta-feira no quadro da reestruturação hospitalar na região anunciada hoje pelo Centro Hospitalar do Oeste (CHO).
A diretora clínica do CHO, Isabel Carvalho, anunciou em conferência de imprensa que a maternidade de Torres Vedras vai ser encerrada, passando a urgência e o internamento de toda a obstetrícia e ginecologia da região a funcionar em Caldas da Rainha a partir de sexta-feira.
A escassez de médicos especialistas nessas valências e o menor número de partos a sul (1288 em Caldas da Rainha e 739 em Torres Vedras em 2012) justificou a opção.
Contudo, as consultas e a cirurgia de ambulatório nas áreas da ginecologia e obstetrícia vão manter-se nos dois hospitais, o que significa que as "grávidas são acompanhadas em Torres Vedras até às 38 semanas e depois passam a ser acompanhadas em Caldas da Rainha até ao parto".
A maternidade de Caldas da Rainha vai dispor de 40 camas e, segundo a diretora clínica, "tem capacidade para absorver mais partos, estando a decorrer desde há duas semanas obras, que vão permitir à vontade ter instalações para atender mais grávidas".
Os serviços de pediatria das duas unidades vão ter também alterações a partir de sexta-feira, uma vez que, apesar de o internamento e das consultas da especialidade se manterem nas duas, o acompanhamento dos recém-nascidos para a ser feito apenas a norte.
A partir dessa data, Caldas da Rainha vai dispor de 28 camas na pediatria e Torres Vedras 10.
A opção deve-se não só à transferência da maternidade para Caldas da Rainha, mas também à maior carência de recursos humanos em Torres Vedras.
Nas duas unidades, vai haver uma maior aposta nos cuidados de ambulatório da pediatria com a criação de um "hospital de dia", que vem contribuir para "reduzir o número de internamentos e manter os laços familiares das crianças".
A ortopedia das duas unidades vai ficar centralizada em Torres Vedras no que diz respeito às cirurgias programadas e ao internamento, mantendo-se as consultas externas e a cirurgia de ambulatório do serviço nos dois hospitais.
O maior número de médicos de ortopedia e a existências de lista de espera para cirurgia mais reduzida a sul foram justificaram a medida: Em Torres, um utente em 2012 esperava 133 dias por uma cirurgia, contra os 338 dias de Caldas.
O CHO revelou que a data das alterações deverá ser anunciada nas próximas duas semanas, porque, justificou o presidente do conselho de administração, Carlos Sá, "estão a decorrer obras no serviço das Caldas para aumentar a capacidade da maternidade e só depois é possível deslocalizar a ortopedia para Torres".
No quadro da reestruturação, ambas as urgências médico-cirúrgicas vão manter-se, ao contrário da proposta inicial da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, apesar de estar prevista uma reavaliação em Torres Vedras ao fim de um ano.
O processo foi iniciado no primeiro trimestre de 2012, tendo sido dado como primeiro passo a fusão das administrações das duas unidades.
O CHO abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras e parte do concelho de Mafra, mas Alcobaça e Nazaré vão passar a ser servidos pelo Hospital de Leiria.