Maria Rueff e Joaquim Monchique apresentaram comédia 'Lar doce lar' em Macau

Maria Rueff e Joaquim Monchique apresentaram comédia 'Lar doce lar' em Macau

Os atores Maria Rueff e Joaquim Monchique apresentaram hoje, em Macau, o espetáculo "Lar doce lar", comédia que "deixa as pessoas quase mal dispostas de rir" e que gostariam de levar onde houver portugueses.
"Os espetáculos estão a correr muito bem. Não sabíamos exatamente que público encontrar, além dos portugueses, mas com a componente das legendas em língua chinesa, também temos tido algumas pessoas de cá que, mesmo não falando português, têm-nos dito que se têm divertido imenso", afirmou Maria Rueff à agência Lusa, quando "Lar doce lar" soma já três representações.
A peça, que dá a conhecer "o inconfessável da residência Antúrios Dourados para Séniores de Qualidade", estreou-se em Portugal em setembro do ano passado, e foi a única proposta portuguesa da atual edição do Festival das Artes de Macau, que decorre até 02 de junho.
"Lar Doce Lar" teve direito a um terceiro espetáculo no Teatro D. Pedro V, em Macau, depois de os bilhetes para os dois espetáculos do fim de semana terem esgotado.
"Desde que esta peça se estreou em Portugal nunca sonhámos ter um êxito tão grande. As pessoas saem quase mal dispostas de rir e temos tido esse enorme aplauso", acrescentou Rueff.
Joaquim Monchique descreveu, por sua vez, "Lar doce lar" como "uma comédia alucinada, em que dois atores fazem oito personagens" durante duas horas.
A história desenrola-se em torno de duas figuras centrais, uma senhora retornada de Moçambique e uma vedeta dos anos 50, "com tudo o que faz parte dos últimos 100 metros de vida".
"Nesta peça pusemos profissionalismo, lágrimas, suor, sangue e muito das nossas memórias. No meu caso, uma classe que tinha sido pouco retratada ainda, que são os retornados, e no caso do Joaquim, o caso das grandes figuras (...) que mereciam ter este fim de dignidade, de estilo, mais como se isto fosse um hotel de cinco estrelas do que uma antecâmara da morte", destacou Maria Rueff.
A apresentação de "Lar Doce Lar" em Macau foi para os atores "uma prenda do universo". A dupla tinha visitado a região há dez anos, para "ver tudo o que manda a sapatilha, as ruínas, os templos", e hoje nota que veio parar "a outra cidade".
"Havia o Casino Lisboa e pouco mais. Macau ainda era pequenino e fazia uma grande diferença de Hong Kong (...) E agora é outra Macau, não sei se para melhor (...) Eu, como ser preocupado com o planeta, acho esta construção desenfreada", afirmou a atriz.
Joaquim Monchique, por seu lado, notou a "evolução extraordinária e até social" na população chinesa, que "passou de um regime tão fechado para a loucura desenfreada pelo consumismo e imperialismo".
"É normal, mas ao mesmo tempo também é preocupante, como é que vai haver recursos para tanta gente. E para um país tão pequeno como nós, de repente chegar a esta estrutura gigantesca, sociologicamente também é muito importante", acrescentou.
Macau marca o início da internacionalização de "Lar Doce Lar", que os atores gostariam de levar "onde houver portugueses".
"Estamos a tentar levá-la às comunidades portuguesas, porque acho que, estando fora de Portugal, isto ainda tem um sabor especial", reforçou Maria Rueff.
A ideia, explicou a atriz, seria chegar às comunidades portuguesas na Europa, onda a digressão se possa fazer de carro. "Porque mesmo para levar a peça à nossa Madeira e aos Açores é muito dispendioso levar o cenário de barco, sobretudo nesta altura de crise", acrescentou.
Depois da estreia na Ásia, a peça será apresentada no Alentejo, e terá novas temporadas no Porto e em Lisboa.
"Já há algum tempo que não se via um êxito tão grande. Já tivemos êxitos grandes, mas desta maneira é impressionante", concluiu Joaquim Monchique.