Mais de 15% das habitações de Lisboa estão vazias

Mais de 15% das habitações de Lisboa estão vazias
Mais de 15 por cento dos 322 mil alojamentos na capital estão vazios, segundo o “Retrato de Lisboa”, hoje apresentado, a primeira publicação da Pordata que concentra informação sobre o município.
Lisboa tinha, em 2011, 322.865 alojamentos familiares, dos quais 84,4 por cento estavam ocupados: das habitações vazias, 3,4% destinavam-se a aluguer e 12,2% eram “outros alojamentos vagos”. 
A habitação é um dos 12 indicadores utilizados no “Retrato de Lisboa”, que revelou também que, com 85 metros quadrados – 0,1% do território continental -, a capital tem 547.733 habitantes, menos um terço que em 1960. Apesar da perda de população nos últimos 50 anos, Lisboa continua a ser o concelho mais populoso do país, seguido de Sintra, com cerca de 400 mil residentes.
“Lisboa perdeu população, e isso é um dado que pode surpreender, porque hoje sentimos que a cidade tem muito mais pessoas, mais trânsito, mais confusão, que há 50 anos. Já em Sintra, neste período, a população quintuplicou”, disse a diretora da Pordata, Maria João Valente Rosa, que salientou que a capital “é cada vez menos pertença dos seus residentes e cada vez mais uma cidade de muitos”.
Da população lisboeta, 8,1% (44.128 pessoas) são estrangeiros. 
Quase um quarto da população é idosa (23,9%), enquanto 63,2% são pessoas em idade ativa – dos 15 aos 64 anos. Os jovens, abaixo dos 15 anos, representam 12,9%. O retrato mostra, ainda, uma cidade mais envelhecida que o resto do país: em 2011, os idosos representavam 19% da população em Portugal. Naquele ano, houve mais mortes (6.619) do que nascimentos (5.733).
Mais de metade da população da capital – 52% (287.859 pessoas) – é pensionista.  
Por outro lado, o estudo mostra que Lisboa é uma verdadeira cidade universitária: tem 123.444 alunos do ensino superior, quase tantos que o total de estudantes no Porto, Coimbra, Braga e Aveiro. Tem ainda mais de 121 mil alunos nos restantes níveis de ensino.
Lisboa tem “as duas realidades, a população envelhecida e a população jovem que quer começar aqui os seus negócios”, referiu a autarca, defendendo que “este confronto entre os dois dados tem de fazer pensar em estratégias que incluam todos”.
Na saúde, o “Retrato” demonstrou que Lisboa “tem uma dimensão de escala, em termos de hospitais e prestação de cuidados de saúde, que vai para além dos serviços que presta aos seus residentes”, disse a diretora da Pordata.  
A Câmara Municipal gasta 888 euros por habitante – cerca de metade corresponde a despesa com pessoal -, recebendo 980 euros por munícipe.
A nível de justiça e segurança, havia em 2010 mais de 1,3 milhões de processos pendentes nas polícias, com 42 mil crimes praticados, a maioria dos quais contra o património, seguidos do pequeno furto.   
O “Retrato de Lisboa” é o primeiro retrato municipal, em formato ‘ebook’ (disponível na internet), realizado pela Pordata, que desafia os restantes 307 municípios do país a procurarem recolher esta “informação útil para os cidadãos”.  
Na apresentação, o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos – a que pertence o projeto Pordata -, António Barreto deu o exemplo da reforma administrativa na capital, que reduziu de 53 para 24 freguesias, como “uma lição que Lisboa deu a muitos concelhos”.
“A capital tratou de si própria, não esperou que o Governo viesse impor quantas freguesias deviam ser criadas. Portou-se com alguma razoabilidade e originalidade”, afirmou.