Mafra congratula-se com manutenção do 'Memorial do Convento' no programa de Português

Mafra congratula-se com manutenção do 'Memorial do Convento' no programa de Português

A Câmara de Mafra congratulou-se hoje com a manutenção do “Memorial do Convento”, de José Saramago, no novo programa de Português do ensino secundário, na homologado na segunda-feira pelo Ministério da Educação.

"A Câmara Municipal de Mafra congratula-se com a manutenção, nos conteúdos programáticos, do ‘Memorial do Convento’ de José Saramago", lê-se no comunicado.

O município considerou que a manutenção da obra no novo programa é "mais um impulso positivo para a candidatura do palácio a património mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)”.

A autarquia recordou os argumentos invocados aquando da discussão pública do programa, entre eles o facto de só em 2012 mais de 64 mil alunos, provenientes de cerca de 600 escolas de norte a sul do país, terem visitado o Palácio Nacional de Mafra. Destes, 26 mil assistiram também à peça de teatro com o mesmo nome.

Para a câmara municipal, a história da construção do Palácio e Convento de Mafra, no século XVIII, que serve de pano de fundo ao romance de Saramago, "exerceu um papel fundamental na valorização turístico-cultural do concelho, contagiando positivamente a economia local".

A autarquia recordou que o “Memorial do Convento” foi o "primeiro êxito internacional do autor" galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, está traduzido em quase 40 línguas e é o livro com maior número de edições em Portugal (53).

O Ministério da Educação recuou na retirada da obra do escritor José Saramago “Memorial do Convento” do novo programa de Português do secundário, mas durante dois anos será obrigatoriamente substituída por ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’.

De acordo com o programa de Português do ensino secundário, homologado na segunda-feira, os alunos do 12.º ano vão poder optar entre estudar o "Memorial do Convento" ou "O Ano da Morte de Ricardo Reis", ambas obras de José Saramago.

A exceção acontece nos anos letivos de 2017-2018 e 2018-2019, em que "O Ano da Morte de Ricardo Reis" se impõe a "Memorial do Convento", obra icónica do único Prémio Nobel da Literatura português e que integrava os currículos do secundário há largos anos.

A justificação para a imposição de dois anos é dada numa nota de rodapé do próprio programa, na qual se pode ler que, "com esta indicação, pretende-se fomentar o conhecimento desta obra, tornando-a tão divulgada junto de professores e alunos quanto ‘Memorial do Convento', permitindo que a opção por uma das obras, no futuro, seja mais sustentada".

A Câmara de Mafra discorda desta decisão, afirmando que "o estudo de outra obra do autor deveria ser opcional e não obrigatório".

A proposta para o novo programa de Português, que esteve em consulta pública no final de 2013, previa a substituição deste texto do Nobel da Literatura por outros dois romances da sua autoria: "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e "História do Cerco de Lisboa".