Loures deixa de assegurar gestão urbana do Parque das Nações

Loures deixa de assegurar gestão urbana do Parque das Nações

A Câmara de Loures vai deixar de assegurar a gestão urbana da parte que lhe compete do Parque das Nações a partir de domingo, alegando que a empresa Parque Expo deixou de facultar documentos e informações relevantes à autarquia.

A autarquia de Loures tinha assumido a gestão urbana da parte do Parque das Nações que pertence ao município no dia 02 de maio na sequência do processo de extinção do Grupo Parque Expo, que tem de ser extinto até ao final de 2013 por indicação do Governo.

No entanto, em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, explicou que a partir do momento da aprovação no Parlamento da criação da freguesia do Parque das Nações a empresa Parque Expo suspendeu o processo de transferência da gestão urbana e deixou de partilhar documentação com o município.

“Simplesmente começaram a impedir-nos de levar a cabo o trabalho que nos tinha sido pedido inicialmente pelo Governo. Esta atitude tem-nos impossibilitado a devida manutenção dos espaços e equipamentos”, queixou-se o autarca de Loures.

Por esse motivo, Carlos Teixeira afirmou que “até existirem ordens superiores por parte do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT), a Câmara de Loures irá cessar as actividades desenvolvidas no Parque das Nações”, que tinha iniciado no dia 2 de maio.

“Não faz sentido estarmos a assumir uma coisa quando os responsáveis políticos não se entendem. Devido a esta bandalheira política fomos obrigados a tomar esta posição”, apontou.

O autarca voltou ainda a criticar a decisão do Parlamento de aprovar uma proposta de criação da freguesia lisboeta do Parque das Nações com parte do Território de Loures, considerando que se tratou de uma medida inconstitucional, uma vez que não foram ouvidos os órgãos locais.

A Lusa tentou contactar a empresa Parque Expo que remeteu para segunda-feira um eventual comentário a esta decisão.

Contactado pelo Lusa o presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações (AMCPN), José Moreno, considerou que a decisão da Câmara de Loures era previsível, uma vez que “nunca deveria ter assumido a gestão daquele território.

“Na altura consideramos que tinha sido uma precipitação e uma asneira incompreensível que a poucas semanas de se decidir o futuro do Parque das Nações no Parlamento Loures tivesse assumido a gestão. Mandava o bom senso que tivesse seguido a posição de Lisboa”, afirmou José Moreno.

No entender do presidente da AMCPN a gestão urbana do Parque das Nações deve ser assegurada pela Parque Expo até que a Câmara de Lisboa esteja em condições de assumir essa gestão.

Apenas um terço do Parque das Nações pertence à Câmara de Loures mas os moradores reconhecem que os custos de manutenção desta autarquia são mais elevados porque inclui a gestão do Parque Tejo e outros equipamentos públicos.

A Câmara de Lisboa que deveria assumir a gestão urbana do seu território no Parque das Nações a partir de domingo também não o fará devido a prazos legais de uma providência cautelar interposta pelo município que alegou não ter capacidade financeira para fazer o fazer no imediato.

A Assembleia da República aprovou no dia 01 de Junho, por maioria, a reforma administrativa de Lisboa, que reduz para 23 as 54 freguesias da capital e cria a autarquia do Parque das Nações com território pertencente ao município de Loures.