Lobos ibéricos comemoram três anos no único centro de recuperação do país

Lobos ibéricos comemoram três anos no único centro de recuperação do país
O Centro de Recuperação do Lobo Ibérico (CRLI), em Mafra, prepara-se para celebrar na segunda-feira o primeiro aniversário de três jovens lobos, os únicos que aí nasceram nos últimos três anos e que podem ser observados pelos visitantes.
 
Ainda sem nome, constituem a maior matilha do CRLI, localizado na freguesia do Gradil, concelho de Mafra. Descendem de Sabor, um lobo de 13 anos que veio de um cativeiro ilegal, em Espanha, de onde foi resgatado, e de Tua, uma loba de oito anos que chegou ao centro há três anos, oriunda de um jardim zoológico de Inglaterra.
 
Os três jovens e a loba Bolota, de três anos, foram os únicos a nascer no CRLI nos últimos seis anos.
 
"Já não tínhamos lobos a nascer no centro há já alguns anos. Mas o objetivo do centro não é a reprodução, mas sim a recuperação animais que outras instituições não queiram e que, estando em cativeiro, não podem ser reintroduzidos na natureza", esclarece o presidente do CRLI e do Grupo Lobo, Francisco Fonseca, à agência Lusa.
Além dos três juvenis, Furco, chegado há apenas seis meses ao centro vindo de um jardim zoológico de Espanha, é também outra das novidades que os visitantes podem ter.
 
Por falta de espaço, no jardim zoológico de Lisboa, vão chegar nos próximos meses outros dois adultos, um dos quais uma loba que vai ter Furco como companhia e ambos podem vir a aumentar a família nos próximos anos.
 
Para garantir o futuro do abrigo, o único em Portugal, o Grupo Lobo e o CRLI voltaram a lançar na internet (https://www.indiegogo.com/projects/last-push-to-save-the-iberian-wolf-recovery-centre#/story) a campanha internacional "Não deixe os lobos sem abrigo" com o intuito de angariar até ao final de julho 65 mil euros, o que falta para juntar aos 157 mil euros indispensáveis para adquirir os 17 hectares de terreno.
 
A manutenção do CRLI, onde chegam lobos encontrados em cativeiros ilegais ou vítimas de armadilhas ou de maus tratos, é uma garantia da preservação da espécie em todo o mundo e do último grande carnívoro existente em Portugal.
 
O espaço foi cedido de forma gratuita por privados, que em 2012 quiseram a sua devolução. Na iminência de sair, colocando em risco a falta de abrigo dos lobos, o CRLI negociou a compra do terreno e atem até 2016 para concretizar a aquisição.
 
Um problema que veio juntar-se à quebra de visitantes devido à crise. Os cerca de seis mil visitantes registados em 2011 baixaram para quatro mil em 2014.
 
"O número de visitantes baixa quando se ouve falar em crise e aumenta quando se ouve que estamos a sair da crise. Além disso, as atividades são ao ar livre. Quando há calor ou chuva isso reflete-se no número de visitantes", explica.
 
O Grupo Lobo, associação não-governamental sem fins lucrativos, comemora este ano os 30 anos. Fundado em 1985 para trabalhar a favor da conservação do lobo e do seu ecossistema em Portugal, gere o CRLI, o único abrigo do lobo ibérico em Portugal criado há 28 anos par, evitar o abate ou o realojamento dos lobos em jardins zoológicos.