Lisboa aprova apoio para a regata Volvo Ocean Race

Lisboa aprova apoio para a regata Volvo Ocean Race

A Câmara de Lisboa aprovou ontem com os votos contra do PSD e do PCP, a abstenção do CDS-PP e o voto favorável da maioria socialista a participação da cidade em duas iniciativas da regata Volvo Ocean Race.

O vereador do PSD Álvaro de Castro mostrou-se preocupado com a falta de clarificação da relação entre parceiro promotor e entidade pagadora.

“O que acontece se o promotor falhar com cumprimento das suas obrigações perante a entidade pagadora?”, questionou.
Também o social-democrata Vítor Gonçalves levantou dúvidas com o “enorme custo” que aquela prova representa para o município. 
Por seu lado, o vereador Ruben de Carvalho, do PCP, discordou por este acordo ser o “inverso do que sucedeu no anterior”.
“O papel era assumido pelo Governo e a câmara assegurava outro tipo de apoio que não envolviam o despender de contrapartidas. Segundo se verifica, o acordo foi invertido. Já não é a primeira vez que o Governo tenta transferir encargos para a câmara”, frisou.
Na resposta, o presidente António Costa disse que o Governo não tem condições para financiar as próximas iniciativas da Volvo Ocean Race, pelo que “desta vez a fatura vai para o município”.
“Temos a possibilidade de renovar a manutenção da etapa em Lisboa nos anos 2015 e 2018 e é fundamental para o que há a seguir, visto que termina o contrato da Volvo Ocean Race, que fixa base da partida em Alicante e será possível renegociar a base de partida para próximo ciclo de regatas”, frisou o autarca, afirmando que o objetivo é ter a partida da prova em Lisboa.
António Costa admitiu que a verba “é elevada”, mas defendeu haver condições para suportá-la “distribuída ao longo dos anos”.
Segundo um acordo entre a câmara e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), as duas partes terão de pagar, até meados de 2018, quatro milhões de euros para a passagem das duas próximas edições da regata Volvo Ocean Race pela capital. Nos termos da proposta, as duas entidades terão de pagar um milhão de euros por cada passagem da regata em Lisboa: uma a realizar em maio de 2015 e outra no mesmo mês de 2018.
Para a realização da 12.ª edição da Volvo Ocean Race, daqui a dois anos, em Lisboa, a ATL terá de pagar uma "taxa de anfitriã" de 500.000 euros, antes de 15 de setembro de 2014, e outra, no mesmo montante, até abril de 2015.
Por sua vez, a autarquia terá de pagar uma mesma taxa, num total de um milhão, mas dividida em três prestações: 423.333 euros até ao final de fevereiro deste ano e 283.333 até ao início de fevereiro de 2014 e de 2015.
Pela 13.ª edição, a realizar apenas daqui a cinco anos, câmara e ATL também pagam dois milhões, mas divididos em três prestações de 333.333 milhões a concluir até fevereiro e abril de 2018, respetivamente.
Além do pagamento desta "taxa de anfitriã", o município propõe ainda, na quarta-feira, isentar a organização da prova do pagamento de taxas, nomeadamente de ocupação do espaço público, para estas duas edições da Volvo Ocean Race.
O pagamento é feito à Volvo Ocean Race S.L.U..
A proposta, assinada pelo presidente da câmara, António Costa, cita ainda uma auditoria da PricewaterhouseCoopers, que concluiu que a passagem da prova náutica pela doca de Pedrouços, em Algés, teve um "impacto económico direto de 16,4 milhões de euros e um efeito indireto entre 13 e 18 milhões de euros".
A primeira prova da 11.ª edição da Volvo Ocean Race teve início em novembro de 2011 em Alicante (Espanha) e a sétima etapa (de nove) teve início em Miami (Estados Unidos da América) e terminou em Lisboa.
A etapa lisboeta durou dez dias.