Linha de Cascais faz 125 anos e está na mira da privatização

Linha de Cascais faz 125 anos e está na mira da privatização
A linha ferroviária que liga Cascais ao Cais do Sodré, em Lisboa, completa nesta terça-feira 125 anos e atualmente transporta 100 mil pessoas por dia útil, as quais aguardam agora pela anunciada privatização.  
A linha, que circula paralela ao mar, ligando Cascais, Oeiras e Lisboa, transporta anualmente cerca de 30 milhões de passageiros, numa média de 100 mil todos os dias úteis.
Joaquim Sousa mora em São Pedro do Estoril e o comboio é o seu meio para se deslocar para o trabalho. Considera a viagem "muito agradável", mas os preços dos passes são já uma preocupação, temendo que se agravem com a futura privatização.
"Não sei como vai ser. Normalmente, quando se fala em privatizações pensamos sempre que os preços vão aumentar e quem sai prejudicado são os utentes. Espero que não seja isso e que o serviço continue a ser de qualidade e suportável para os bolsos", disse.
Também Ana Castro escolheu deslocar-se de comboio para a universidade todos os dias: "Vou a ouvir música, com a cabeça encostada ao vidro, a ver o mar, sabe-me muito bem".
No entanto, a possibilidade de os preços dos bilhetes virem a aumentar com a futura concessão da linha a privados, anunciada pelo atual Governo em novembro de 2011, é motivo de apreensão.
"É cada vez mais difícil suportar as despesas, portanto espero que não haja mais aumentos e que não sejam os utentes a suportar com prejuízos", afirmou a estudante.
Delfina Cruz utiliza o comboio da Linha de Cascais há mais de 20 anos e constatou que a qualidade do serviço tem vindo a degradar-se nos últimos anos.
"Ou são comboios a descarrilar por falhas técnicas, ou são ‘gangs' que causam distúrbios, a verdade é que isso não acontecia antes e nos últimos anos é só notícias sobre isso", sustentou.
Inaugurado em 1889, o ramal que deveria ligar Cascais a Santa Apolónia iniciou-se a partir de Pedrouços, aguardando as obras da primeira secção do Porto de Lisboa.
O traçado, projetado pelo empreiteiro Bratissol, corria ao longo da margem e contou com dificuldades técnicas, principalmente no Alto da Boa Viagem e no Estoril devido à instabilidade dos terrenos.
Não só as dificuldades das obras, mas também os problemas e conflitos no arrendamento da linha pela Sociedade Estoril marcam a história da Linha de Cascais que, ao fim de 125 anos, constitui um dos eixos mais importantes na operação da CP.
Para assinalar os 125 anos da linha, um comboio do início do século XX, vai a circular na terça-feira, num convite da Câmara de Cascais a "reviver o ambiente glamoroso do transporte ferroviário”, numa composição de época recentemente recuperada pela Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) para a Fundação do Museu Nacional Ferroviário.
O histórico comboio presidencial vai percorrer os 25 quilómetros de Cascais até ao Cais do Sodré e poderá também ser visitado pelo público nestas duas estações durante o dia de terça-feira.
A CP vai ainda comemorar a efeméride com a disponibilização de um cartão de assinatura que se destina a novos clientes, ou seja, aos que nunca tenham adquirido um título de assinatura mensal válido.
A aquisição deve ser feita exclusivamente na terça-feira e há apenas 125 cartões de assinatura disponíveis, para as primeiras 125 pessoas, num valor anual de 125 euros e válido até 30 de setembro de 2015. O preço normal de uma assinatura mensal global na Linha de Cascais é de 71,5 euros.