José Wilker diverte-se como Coronel Jesuíno

José Wilker diverte-se como Coronel Jesuíno

Tem uma das personagens mais mediáticas da actualidade televisiva e nas redes sociais não há quem não fique tentado em usar e abusar do pregão que traz constantemente na boca, enquanto Coronel Jesuíno. “Deite, que eu vou lhe usar” já foi adaptado para as mais variadíssimas situações da vida real, mas quando ouvido na ficção da “Gabriela” faz rir todo o público em Portugal.

José Wilker denomina o Coronel Jesuíno, a quem dá vida na novela, de “um cara na vanguarda do atraso” e garante que “foi muito estimulante” fazer aquele personagem machista que maltrata as mulheres. “Eu estive em Portugal em ’79 e pude sentir na pele o êxito que foi aqui a ‘Gabriela’”, recorda o actor que, na primeira adaptação do romance de Jorge Amado para a televisão brasileira, vestiu a pele de Falcão.

Nesta nova adaptação, faz o papel precisamente antagónico e revela-se surpreendido com todo o êxito que a novela tem conquistado. “Quando eu soube que a ‘Gabriela’ iria ser novamente apresentada em Portugal, não tinha noção do impacto que ela poderia vir a ganhar aqui. Talvez achasse que a primeira versão ofuscasse esta, mas afinal, não”, conta.

Para o actor, “Jorge Amado pode ser relido indefinidamente”. E exemplo disso são as duas versões feitas da novela, a actual a ser exibida em horário nobre na SIC. “Nesta versão, o que antes era um manifesto político, hoje é uma aposta na diversão e no riso”, defende o actor face à linguagem e cenas mais ousadas. “No fundo, isto é o sinal do tempo: nos anos 70 se eu falasse ‘merda’ na televisão, eu seria punido pela imprensa e pela censura. Agora eu tenho uma fala em que digo ‘me dá licença que eu vou cagar’, uma coisa impossível de dizer há uns anos atrás”, revela, ao mesmo tempo que gera uma gargalhada entre os jornalistas. Completamente rendido ao novo formato, José Wilker explica que nesta versão “houve o cuidado de não ultrapassar a linha da sensualidade e não ser pornografia simples. É apenas o querer passar a mensagem que o corpo humano pode ser diversão”.

Na visita relâmpago que efectuou a Lisboa, José Wilker defendeu que “Portugal e Brasil só têm a ganhar se trabalharem cada vez mais juntos”, face às várias parcerias que têm vindo a ser desenvolvidas entre a SIC e a Rede Globo.

O actor considera mesmo que “os dois países estão muito mais próximos” desde a primeira vez que visitou Portugal. “Se não se sente tanto a presença de Portugal no Brasil, encontramos muito do Brasil em Portugal”. Amante de cinema, José Wilker confidenciou que “ainda há muito pouco tempo vi no Brasil os últimos filmes de Manoel de Oliveira e gostei muito”.

Texto: Ana Raquel Oliveira

Fotos: Filipe Guerra