José Luís Tinoco traduz 'As idades do corpo' em mostra de pintura e desenho, em Cascais

José Luís Tinoco traduz 'As idades do corpo' em mostra de pintura e desenho, em Cascais

O arquiteto José Luís Tinoco expõe, a partir de sexta-feira, pinturas e desenhos no Centro Cultural de Cascais, nas Casas do Gandarinha.
A exposição, sob o tema “As idades do corpo”, reúne 80 trabalhos, dez telas em acrílico e 70 técnicas mistas sobre papel, e coincide com o ano em que o arquiteto, compositor e poeta assinala o seu 80.º aniversário que completou no passado dia 27 de dezembro.
Arquiteto de formação - licenciado na Faculdade do Porto - abriu um ateliê em nome próprio na década de 1950 e foi desenvolvendo, em simultâneo, atividade noutras áreas como as artes gráficas, a pintura, o desenho, a ilustração e a música.
Segundo o filho, o compositor Luís Tinoco, a pintura de José Luís Tinoco "passou do neorrealismo a uma figuração fragmentada, que o conduziu à abstração”.
“De uma prática espaçada, exercida nos intervalos da arquitetura e da música, José Luís Tinoco passou, em 1980, a uma atividade continuada e, em 1986, realizou, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma exposição individual, abarcando o período abstrato de 1982-85”, disse o filho, Luís Tinoco.
Na década de 1990, regressou à figuração, “numa abordagem crítica, concretizada na série ‘crucifixões’ e ‘descida da cruz’". Em 1998, expôs, no Palácio da Ajuda, a série “Aproximações a seis tapeçarias”.
Em 2003 voltou a expor, desta feita na Galeria 57, em Leiria, a sua cidade natal, sob o título “Figurações 93/2003”.
José Luís Tinoco manteve uma relação assídua com os Correios de Portugal, para os quais assinou várias séries filatélicas, expôs na Fundação Gulbenkian e no Palácio Galveias, em Lisboa, onde apresentou retrospetivas da sua pintura.
Na arquitetura assinou uma moradia no Restelo, em Lisboa, indigitada para o Prémio Valmor, na década de 1950, assim como projetos públicos e habitacionais em diferentes localidades do país, destacando-se o plano de urbanização do Bairro do Rego, em Lisboa, cuja versão original acabaria por não ser cumprida.
Em outubro passado, em Lisboa, José Luís Tinoco foi homenageado nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, durante um concerto da fadista Cristina Nóbrega que estreou algumas composições suas.
Como compositor e poeta assinou, entre dezenas de canções, "No teu poema", "Um homem na cidade", "O amarelo da Carris" e a canção "Madrugada" - evocação humanista da madrugada de 25 de Abril de 1974, com a qual venceu o Festival RTP da Canção, em 1975.
José Luís Tinoco começou a tocar de ouvido ainda criança. Na década de 1940 “tinha já um repertório baseado em temas de filmes musicais e nos 'boogies'”, disse à Lusa o seu filho, o compositor Luís Tinoco.
Fez a sua estreia em rádio, em 1951, no Porto. Tocou com a Orquestra Académica de Coimbra e, mais tarde, com o conjunto de Heinz Wörner.
Presença assídua no Hot Clube, tocando piano e contrabaixo, foi pianista do primeiro grupo a atuar regularmente com o saxofonista Jean-Pierre Gebler.
Na década de 1970, participou em alguns Festivais RTP da Canção, fazendo parceria com autores como Yvette Centeno, Pedro Tamen e José Carlos Ary dos Santos.
Em 1976, gravou o seu primeiro trabalho discográfico, o álbum “Homo Sapiens”, com o grupo Saga, no qual participou tocando piano, sintetizador, órgão e guitarras.
Compôs também música instrumental para cinema, teatro, televisão e para acompanhar poesia declamada.
Em 1998, o compositor regressou ao jazz, como compositor, através de um concerto do sexteto de Bernardo Sassetti, realizado em Lisboa, no qual foram interpretados temas inéditos, que estão na base do CD "Arquipélago", editado em 2008.