Isaltino Morais critica Governo

Isaltino Morais critica Governo

Foi um presidente de Câmara confiante e claramente ao ataque contra um Governo que “quer fazer todas as autarquias iguais, mas nivelando por baixo, instalando a mediocridade” aquele que, esta quinta-feira, discursou no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, em Carnaxide, na sessão solene comemorativa do Dia do Município. Num discurso de cerca de 45 minutos, perante uma plateia repleta que não regateou aplausos no final, Isaltino Morais condenou abertamente as políticas do Executivo muito para além da redução das freguesias e do número de dirigentes no Poder Local, criticando, também, a integração dos serviços municipalizados de água e saneamento, a proibição de contratar funcionários e o inerente favorecimento do recurso ao “outsorcing”, para além da generalização da imagem de má gestão aos 308 municípios portugueses, quando, “na verdade, estas mesmas autarquias, sendo responsáveis por apenas 4% do endividamento são promotoras de mais de 50% do investimento público nacional”. E nem o tema da corrupção ficou de fora do discurso do edil, que apontou o dedo a quem acha “que o combate à corrupção deve ser feito com manifestações em praça pública, quando a corrupção deve ser combatida com leis claras e transparentes”, até porque “quando chega a absolvição muitas vezes já é tarde porque já foi causado muito sofrimento”.

Mas quem esteve no banco dos réus no discurso – por vezes, intercalado por palavras de improviso – de Isaltino foi mesmo o Governo. O alvo foi um vasto conjunto de “actos legislativos inconsequentes que demonstram o distanciamento e separação da cúpula governativa em relação à realidade do país e às necessidades funcionais das autarquias”.

Em termos gerais, no longo mas incisivo discurso de Isaltino Morais, não ficou pedra sobre pedra na construção que o Governo de Passos Coelho tem edificado quanto à sua própria actuação à frente dos destinos de Portugal: “Empurra-se o país para a pobreza e para a irrelevância. Para além de frangos ou pasteis de nata, os portugueses nada mais sabem sobre a estratégia económica do Governo. A única saída que o Governo tem perfeitamente apontada aos portugueses é a porta dos fundos: a da emigração, empurrando a mais qualificada das gerações portuguesas para fora do país para aí serem rentabilizados!...”, acusou o edil de Oeiras.

Apesar de tudo, embora reconhecendo ser muito difícil não ter uma visão optimista, Isaltino conseguiu deixar algumas notas de optimismo. Mas, para isso, teve de olhar para o concelho que dirige.

“Oeiras deveria ser um exemplo a seguir pelo Governo”, frisou, lembrando “o muito que foi conseguido: o concelho com maior poder de compra, média salarial mais elevada, maior número de licenciados e doutorados, investigadores, mas também com maior investimento per capita…”. Sem esquecer a taxa de desemprego a menos de metade da média nacional, o trabalho no âmbito social e, ainda, “o PIB da felicidade das nossas crianças”.

Um percurso que Isaltino ainda vê no bom caminho. “Ao contrário do que alguns querem, por vezes, propagandear, Oeiras continua a ser capaz de atrair para o concelho as melhores empresas”, disse, adiantando, como exemplo, que no próximo dia 21 será lançada a 1ª pedra do edifício que será ocupado pela multinacional farmacêutica Novartis, no Taguspark, “que trará mais de 400 postos de trabalho directos”.

“Em Oeiras não apontamos a porta de saída aos portugueses”, finalizou.

Bernardo Trindade (ex-secretário de estado do turismo), Pedro Abecassis (presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental até 2011), Lura (cantora portuguesa de ascendência cabo-verdiana), Luisa Costa Gomes (romancista, dramaturga e guionista), Vasco Trigo (jornalista) o Comendador Carlos Moia (presidente do Maratona Clube de Portugal), o Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras, a SIC Esperança, o Corpo Nacional de Escutas, a Direcção de Faróis e o Centro Equestre João Cardiga foram algumas das figuras e instituições homenageadas este ano pelo Município, que reservou a Medalha de Honra para o Instituto Gulbenkian de Ciência.