Investigador destaca papel dos municípios na resposta às alterações climáticas

Investigador destaca papel dos municípios na resposta às alterações climáticas
Os municípios vão ter um importante papel a desempenhar na resposta aos efeitos das alterações climáticas, considerou hoje o investigador Filipe Duarte Santos, no âmbito de uma conferência do Greenfest 2015, que decorre no Estoril.
 
"Os municípios têm certamente uma palavra muito importante em tudo o que diz respeito aos recursos hídricos, às florestas, à agricultura, à saúde humana, às questões das zonas costeiras", afirmou à Lusa o investigador do centro CCIAM (Climate Change, Impacts, Adaptation and Modelling), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
 
Para Filipe Duarte Santos, que falava à margem da conferência "Adaptação Local às Alterações Climáticas", no concelho de Cascais, a principal preocupação passa por "envolver as câmaras” e a estratégia não deve ser feita pelos cientistas, mas pelos técnicos com orientações dos especialistas académicos, levando "as pessoas a identificarem-se com os problemas e com as soluções".
 
"Sente-se que as pessoas estão conscientes de que o clima está a mudar, felizmente não é uma mudança muito rápida, e portanto temos de criar maior resiliência a esta mudança", defendeu o investigador.
 
A redução da precipitação e os transvases em território espanhol, principalmente do Tejo-Segura, são problemas que "vão continuar e que vão fazer com que Portugal e Espanha dialoguem sobre os impactos das alterações climáticas nos recursos hídricos dos dois países", salientou Filipe Duarte Santos.
 
Na abertura da conferência, o investigador destacou a importância do projeto ClimAdaPT.Local (Estratégias municipais de adaptação às alterações climáticas), consórcio que envolve 14 entidades e que está a desenvolver planos para 26 municípios no continente e nas ilhas.
 
"Temos um desafio pela frente, que é reconhecido ao nível científico mas também político", alertou Filipe Duarte Santos, notando que, para enfrentar o aquecimento global, é preciso apostar na mitigação, com "mais energias renováveis e sistemas energéticos mais eficientes", e na adaptação, com o "aumento da resiliência".
 
O investigador do CCIAM frisou que as estratégias desenvolvidas nas autarquias serão "adotadas pelas outras câmaras" do país e devem envolver os agentes sociais e económicos locais.
 
Será a partir da estratégia desenhada para os 26 municípios que, posteriormente, se dará "o salto" para o planeamento, através de planos municipais, intermunicipais e regionais de adaptação às alterações climáticas, explicou José Paulino, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
 
"Estes planos municipais que estão previstos já são o passo seguinte para que os municípios, a uma escala muito maior, possam estar preparados para saber como reagir aos desafios", vincou.
 
O técnico da APA sublinhou que o novo quadro institucional irá incluir "respostas ao nível da mitigação e da adaptação" para "preparar o país para as vulnerabilidades do território às alterações climáticas".
 
"Somos dos países mais vulneráveis na Europa", avisou José Paulino, enumerando entre as principais vulnerabilidades as secas, a precipitação intensa, o calor e a subida do nível médio do mar.
 
A conferência inserida no Greenfest 2015, evento sobre sustentabilidade ambiental, que decorre até domingo no Centro de Congressos do Estoril, conta ainda com a participação de especialistas da Noruega. O país integra com a Islândia e o Liechtenstein o Fundo EEA Grants, que tem financiado diversos projetos relacionados com as alterações climáticas.