Indústria da pedra investe no futuro

Indústria da pedra investe no futuro
A criação de um centro tecnológico para a indústria da pedra, na antiga fábrica Pardal Monteiro, em Pero Pinheiro, é um dos principais objectivos da recém-constituída Associação para a Inovação e Tecnologia, que envolve  o Instituto Superior Técnico (IST) e a Assimagra (Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins), que conta com o apoio da Câmara Municipal de Sintra. 
Com sede no Edifício Multiusos de Pero Pinheiro, que assistiu ao respectivo acto constitutivo no final do último ano, a associação pretende contribuir para o desenvolvimento tecnológico da indústria de transformação das rochas ornamentais, que, nos últimos anos, em resultado da crise que afectou o sector imobiliário, viveu tempos difíceis.  Para concretizar o desafio de “colocar a nossa pedra a ser falada no mundo”, a intervenção da associação, segundo o professor Pedro Amaral (IST), assenta em três pilares: “inteligência, tecnologia e empresas”.
Em declarações ao JR, Pedro Amaral  adianta que a intenção é criar “um centro de inteligência e tecnologia, vulgarmente designado de centro tecnológico, que será uma estrutura em rede, capaz abranger o máximo possível de competências”. As valências desse centro tecnológico será, revela o docente, alvo de ponderação ao longo de 2018, mas passará, além do desenvolvimento tecnológico do sector, pela aposta na formação necessária às empresas. 
Pedro Amaral revela que há várias hipóteses para acolher este centro tecnológico, mas a antiga fábrica Pardal Monteiro, em Pero Pinheiro, seria o local ideal para o efeito. Por um lado, pela dimensão, que permitiria responder às exigências necessárias, e, por outro, por colocar um ponto final na degradação de um espaço com história na região. Mas ainda por uma questão emblemática: professor no IST, Porfírio Pardal Monteiro concebeu o primeiro ‘campus’ autónomo do sistema universitário português, concluído em 1937 na Alameda (Lisboa), cujo projecto foi iniciado sob orientação do director Duarte Pacheco, que viria a ser ministro das Obras Públicas e presidente da Câmara de Lisboa. 
“O centro tecnológico tem muita importância, não só pela lógica de estrutura de inteligência e tecnologia, como também de instalação de empresas, que hoje carecem de espaços mais modernos e actuais para aquilo que são  as novas oportunidades da pedra natural”, realça Pedro Amaral. “O que pretendemos é criar um ecossistema”, reforça o professor universitário que tem acompanhado o processo em representação do IST. Este responsável faz votos que no prazo de “um ano e meio” já seja possível arrancar com “algumas actividades de inovação e tecnologia”.  
Para o desenvolvimento do sector, há que ultrapassar alguns obstáculos, acentua Pedro Amaral, nomeadamente o acesso à matéria-prima. Mas, este docente alerta, também, para a existência de “alguns constrangimentos do impacto ambiental em termos visuais”. “A alteração dos meios de gestão e da filosofia de trabalho nas empresas, como também a criação de outros produtos a partir da pedra, são outras duas áreas essenciais”, reforça o docente do IST, indicando a necessidade de conferir valor às rochas ornamentais, através de novos produtos como o projecto já em curso de associar a cortiça à pedra natural, para tirar partido das melhores propriedades de cada material. Por outro lado, “a valorização dos materiais que não são aproveitados é uma área em que está tudo por fazer”. 
A aposta na inovação e tecnologia na indústria da pedra, como a incorporação de inteligência artificial no processo produtivo, não deve ser encarado como uma ameaça à mão-de-obra. “Não queremos substituir as pessoas por robótica, mas imitar as pessoas que não estão dispostas a trabalhar nesta área, como os canteiros”, afiança Pedro Amaral.
Também Arlindo Oliveira, presidente da instituição do Ensino Superior, fez votos que a nova associação seja um contributo para “desenvolver tecnologia que torne esta indústria mais competitiva, não só como um material do passado, mas um material do futuro”, para que este sector se assuma como “um motor de desenvolvimento para a região, para o concelho e para o país”. Uma ideia partilhada pela Assimagra, com o seu vice-presidente, Miguel Goulão, a considerar que esta associação “é fundamental para a competitividade do sector”.
                    
                   João Carlos Sebastião