Inatel comemora 80 anos com propostas para o futuro

Inatel comemora 80 anos com propostas para o futuro
Criado há 80 anos para ocupar os tempos livres dos trabalhadores, o Inatel mantém-se atento à "atualidade e ao futuro", apostando em novos produtos como uma viagem a São Tomé em que os turistas podem fazer voluntariado.
 
"O Inatel reivindica-se estar desde 1935 a valorizar o tempo livre para todos em Portugal e estou convencido de que estes 80 anos permitem assinalar que essa missão assumida quando foi criada a FNAT tem sido cabalmente cumprida", disse hoje à agência Lusa o presidente da Fundação Inatel, Fernando Ribeiro Mendes.
 
Até às primeiras décadas de 1900, o turismo era sobretudo uma atividade de luxo, reservado aos mais favorecidos e a ocupação dos tempos livres dos trabalhadores centrava-se em associações e sociedades populares de educação e recreio e em atividades de excursionismo, música e leitura.
 
Só em meados dos anos trinta é que o "turismo social" teve um verdadeiro desenvolvimento com a criação a 13 junho de 1935 da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), hoje a Fundação INATEL.
 
Com o tempo, a instituição passou a ter um peso importante no quotidiano dos trabalhadores e das suas famílias, tendo crescido rapidamente: em 1950 eram 41.117 os sócios individuais e 427 os sócios coletivos, em 1969 os beneficiários eram já 147.264 e atualmente conta com 188 mil associados individuais e 2.700 coletivos (Centros de Cultura e Desporto).
Hoje, os programas de "turismo para todos" da Inatel são "bem conhecidos" pelos portugueses, especialmente dos trabalhadores reformados, que usufruem das 17 unidades hoteleiras em todo o país e de pacotes de turismo em Portugal e no estrangeiro.
 
"Somos uma fundação especialmente atenta à atualidade e ao futuro" e isso traduz-se em novas propostas, disse à Lusa Ribeiro Mendes, dando como exemplo o lançamento do "turismo para realizar voluntariado".
 
"Estamos a realizar uma viagem a São Tomé em que os turistas participam em atividades com a população local e de apoio ao desenvolvimento dos seus segmentos mais carenciados", contou.
 
Destacou também a criação da Academia Inatel, um projeto de formação e educação dirigido principalmente a jovens, que vai apresentar simbolicamente a sua primeira produção teatral no sábado, no Teatro da Trindade, em Lisboa, na cerimónia que assinala o 80.º aniversário da instituição.
 
Na história da instituição fica a sua "ligação profunda e genética" com o movimento sindical, que permitiu que se fizesse uma "transição bem-sucedida" de um regime autoritário para um regime democrático.
 
Os sindicalistas assumiram "a ideia de que a então FNAT era uma instituição deles e para eles" e "não há dúvida que isso foi resultado também da democratização do país, uma vez que as duas centrais sindicais (CGTP e UGT) integram desde há muitos anos e continuarão a integrar o conselho geral de que são membros de pleno direito", sublinhou.
 
Para Ribeiro Mendes, esta é uma das "razões fundamentais" para que a FNAT, depois Inatel, tenham sido "sempre espaços de liberdade e de acesso à cultura e desporto para as populações trabalhadoras e reformadas que tinham mais dificuldades de aceder a esses bens" e que as tornaram "um património do movimento dos trabalhadores".
 
Várias iniciativas assinalam a efeméride, entre as quais um selo postal dos CTT e uma medalha cunhada pela Casa da Moeda.