Hotéis preocupados com barulho fora de horas no Bairro Alto e Cais do Sodré

Hotéis preocupados com barulho fora de horas no Bairro Alto e Cais do Sodré

 

Três hotéis do centro de Lisboa juntaram-se aos protestos contra o ruído causado pelos frequentadores dos bares e discotecas do Cais do Sodré e do Bairro Alto e apresentaram hoje várias propostas à câmara municipal para minimizar o problema.
“Os horários actualmente praticados e as autorizações de alargamento, o incumprimento dos horários de encerramento, a utilização da via pública para a actividade dos estabelecimentos que vendem bebidas - funcionando de portas abertas e amplificadores de som voltados para a rua […] são tudo factores que contribuem para níveis de ruído incomportáveis para quem mora ou pernoita no centro da cidade”, afirmam no documento.
Os proprietários do LX Boutique Hotel, do Hotel Bairro Alto e do Lisboa Carmo Hotel entregaram o documento na Câmara de Lisboa no âmbito da discussão pública sobre os horários de funcionamento dos estabelecimentos que funcionam em ‘after hours’ no Cais do Sodré, ou seja, já de manhã.
No texto, alertam que o “fenómeno de massa de consumidores de álcool na via pública entre o Bairro Alto e o Cais Sodré, durante toda a noite, atingiu uma dimensão tal que coloca em causa a segurança e salubridade pública, tendo em conta o lixo que se acumula nas ruas todas as noites, nomeadamente copos de plástico e garrafas de vidro, além de outros dejectos, como a urina”.
“Esta situação tem impactos negativos sobre os moradores, comerciantes locais e, naturalmente, na hotelaria, colocando em causa a própria requalificação urbana proporcionada pelos fortes investimentos realizados pelos empresários deste sector”, frisam.
Por isso, consideram “imprescindível que a câmara use as suas competências para garantir o eficaz planeamento das diferentes actividades na cidade”.
Além da restrição de horários dos “after hours” já proposta pelo presidente da câmara, os proprietários dos hotéis sugerem à autarquia a interdição de venda de bebidas dos estabelecimentos para a via pública e o consumo de álcool na rua.
A interdição da actividade dos estabelecimentos fora do recinto para o qual foi licenciada a sua actividade, a restrição de abertura de novos estabelecimentos de bebidas, o reforço da fiscalização e o aumento dos valores das coimas por incumprimento dos horários de encerramento ou de actividade fora do âmbito de licenciamento são outras propostas destas unidades.
Também o movimento “Aqui Mora Gente” e a Associação de Moradores do Bairro Alto (AMBA) entregaram hoje documentos na discussão pública em que criticam o ruído e o lixo causados pelos frequentadores dos bares e discotecas e apresentam propostas semelhantes.
“É lícito perguntar onde está a invocada diversidade de comércio, a reabilitação e requalificação urbanas, a atractividade para novas famílias de uma zona onde se bebe nas ruas toda a noite, com jovens em gritarias descendo o Bairro Alto até ao Cais do Sodré com garrafas nas mãos, onde se vandalizam viaturas todas as semanas, se urina, defeca e droga a céu aberto sem qualquer inibição, nas entradas e portas dos prédios, deixando um cheiro nauseabundo pela manhã”, lê-se no texto do “Aqui Mora Gente”.
Por seu lado, a AMBA inclui no seu documento as regras impostas em Albufeira para os estabelecimentos de diversão nocturno e sugere que Lisboa as adopte também.