Hospitais têm profissionais a mais para alimentar urgências

Hospitais têm profissionais a mais para alimentar urgências
O administrador do Hospital de Loures, Artur Vaz, disse hoje que muitos hospitais têm profissionais a mais para poderem alimentar as urgências, mesmo que não estejam lá a fazer nada.
“Há pessoas nas urgências que mais de metade do tempo não estão lá a fazer nada”, afirmou Artur Vaz durante a Conferência-debate sobre o sistema de saúde para além de 2014, que decorreu na Escola Nacional de Saúde Pública.
No painel sobre “organização do trabalho”, Artur Vaz falou da sua experiência “de mais de 30 anos”, da qual se destaca a administração do Hospital Dr. Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), Hospital da Luz (Grupo Espírito Santo Saúde) e Beatriz Ângelo, o novo hospital  em Loures.
E foi ao longo dessas três décadas que conheceu gente “mais ou menos empenhada”, bem como os efeitos positivos e negativos do sistema de incentivos remuneratórios.
“Os sistemas de incentivos trazem ao de cima o que há de melhor e de pior nas pessoas e nos profissionais de saúde”, mas também funcionam para “alinhar os interesses do grupo e da instituição”, disse.
Artur Vaz frisou que é preciso levar em conta que “as pessoas não são todas iguais e que as instituições são todas diferentes”.
Nessa linha de pensamento, disse que "há hospitais que existem por causa dos serviços de urgência, mesmo que alguns não estejam lá a fazer nada”.
Artur Vaz não encontra nenhum interesse na exclusividade dos profissionais e disse mesmo que conhece “muitos preguiçosos que adorariam estar num só sítio, desde que obtivesse um rendimento mínimo”.
No mesmo debate, o administrador do Centro Hospitalar do Porto, Sollari Allegro, mostrou-se mais confiante nos incentivos, nomeadamente na atribuição de um valor remuneratório para os profissionais que menos faltem. 
Isto porque a instituição se deparou com uma significativa taxa de absentismo laboral, que se traduziu na perda de 53 mil dias de trabalho em 2012.
Sobre o tipo de incentivos, Sollari Alegro disse que os programas adicionais são os que “funcionam melhor”, pois permitem, garantindo a produção contratualizada, assegurar maior produção.
Para a antiga bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Augusta de Sousa, também presente no encontro, a situação do setor obriga a que se reorganizem os tempos de trabalho.
Mostrando-se cética sobre a questão dos enfermeiros em excesso aflorada no debate, Augusta de Sousa disse que há áreas em que ainda se regista uma escassez, como nos cuidados continuados.
A ex-bastonária debruçou-se ainda sobre a existência de 1,15 enfermeiro por médico, contra 0,52 assistentes operacionais por enfermeiro, uma relação que prova a necessidade de se “repensar o trabalho dos profissionais”, afirmou.