Hoje é Dia de Reis, de cantares, de bolos e de prendas, como manda a tradição

Hoje é Dia de Reis, de cantares, de bolos e de prendas, como manda a tradição
O Dia de Reis, que hoje se assinala, está associado ao bolo-rei e ao “cantar das janeiras” e põe fim às festividades de Natal e Ano Novo, tendo origem na Bíblia, o livro sagrado da Igreja Católica.
 
“Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia no tempo do rei Herodes, vieram do oriente uns magos a Jerusalém, perguntando: Onde está aquele que nasceu Rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo”, lê-se no evangelho de S. Mateus (capítulo II).
 
O dia que hoje se assinala terá origem aqui, sendo o 06 de janeiro mais importante do que o Natal para os cristãos ortodoxos. Assinala a visita de “reis magos” a Jesus, oferecendo-lhe presentes (em Espanha mantém-se a tradição de trocar presentes neste dia), e assinala ainda o fim das janeiras (cantares que na tradição eram religiosos).
 
Hoje mesmo, e como também já é tradição, grupos de cantares estarão na residência oficial do primeiro-ministro a “cantar as janeiras”, uma ação que implicava ao longo dos anos uma recompensa (comida ou dinheiro), mas que sindicalistas inverteram, porque hoje vão “cantar as janeiras” junto do Ministério das Finanças e oferecer eles uma “prenda”.
 
Na Amadora vai fazer-se um bolo-rei com 100 metros, um doce tradicionalmente redondo, com frutos secos e cristalizados, que poderá ter origem nas festas de ano novo dos romanos mas que hoje simboliza as ofertas dos “reis magos”.
Em Portugal, até recentemente, tinha dentro dele uma fava e um pequeno brinde, de metal, mas a hipótese de poder ser inadvertidamente engolido acabou com a tradição. Que já tinha estado em risco em 1910, quando da implantação da República, tendo de chamar-se durante algum tempo “bolo de Natal”. Em 1911 houve mesmo uma proposta parlamentar, rejeitada, para alterar o nome para “bolo república”.
 
A bíblia não faz referência a “reis” mas a magos e também não diz quem eram, mas o tempo encarregou-se de afiançar que eram Belchior, Gaspar e Baltazar, que nalgumas culturas têm a mesma representatividade do que o “pai Natal”, sendo as renas substituídas pelos camelos, nos quais os tais magos, diz a tradição, iriam montados.
 
Em alguns locais de Espanha deixam-se sapatos na janela durante a noite com erva para alimentar os camelos dos reis, um gesto premiado com doces no amanhecer de hoje. Nada parecido com o ouro, incenso e mirra que ofereceram os reis magos há mais de dois mil anos.
E à falta de reis, cantares e bolos é a tradição que conta.