Greenfest: Festival dedicado à sustentabilidade tem lugar no Estoril

Greenfest: Festival dedicado à sustentabilidade tem lugar no Estoril
O Greenfest, o festival da sustentabilidade, centra-se este ano na economia circular, com atividades de diversas áreas, da saúde à redução de lixo e reutilização de materiais, ou mobilidade elétrica, e vários testemunhos, para sensibilizar toda a família.
   
Com início na quinta-feira, com a conferência sobre o tema principal, no Estoril, o Greenfest baseia-se nos três pilares da sustentabilidade - social, ambiental e económico - e disponibiliza palestras, exposições, espetáculos de música, dança ou teatro, além de iniciativas dirigidas especificamente a crianças, adolescentes, jovens ou adultos, mais velhos ou mais novos.
 
O objetivo mantém-se: informar e sensibilizar todos acerca da necessidade de adotar comportamentos mais equilibrados para defender a natureza, mas também a saúde de cada um e o espaço social onde se integra.
 
"O tema principal desta edição é a economia circular, que é uma economia de desperdício zero, é um objetivo, um sonho, uma ambição, de uma sociedade com um modelo de desenvolvimento económico, social e ambiental de desperdício zero", de matérias-primas ou materiais, e de capital humano, disse à agência Lusa o mentor do projeto, que decorre até domingo.
 
Pedro Norton de Matos referiu o exemplo dos produtos desenhados para durarem pouco, tornando mais barato comprar algo novo do que reparar o antigo, o que "é uma perversão", e apontou o "drama do lixo eletrónico, muito dele exportado para países pobres".
 
O tema central será tratado sob diferentes ópticas, com testemunhos de vários especialistas de instituições e empresas, como a IKEA, que tem vários projetos amigos do ambiente e agora prepara a instalação de aparelhos de energia solar nos muitos quilómetros de superfícies dos telhados das suas lojas, em todo o mundo, permitindo-lhe ser autosuficiente na energia e ainda vender para a rede elétrica.
 
Pedro Norton de Matos citou também a Siemens, com uma experiência de aplicar os conceitos da economia circular na área de equipamentos médicos, e referiu a presença do presidente do Instituto de Nanotecnologia, sedeado em Braga, do responsável Tratolixo, entidade que trata os resíduos para "transformar lixo em riqueza", ou da presidente do GRACE, que aposta na cidadania empresarial.
 
O co-organizador do Greenfest destacou as ações sobre a diabetes tipo I, relacionada com o estilo de vida e que, "no futuro, se nada mudar, pode ter um aumento acentuado", além de outras áreas como arquitetura, design, música, empreendedorismo, moda ou agricultura biológica.
 
No espaço ao ar livre, as atividades abrangem a mobilidade sustentável - bicicleta, mota, carro elétrico, ou híbrido -, cabanas ecológicas, rastreios de saúde, incluindo os perfis de risco para a diabetes, ou a promoção de uma cozinha saudável que, segundo Pedro Norton de Matos, "não é mais cara".
 
Para os mais novos, "vamos fazer um parlamento de crianças em que os mais velhos têm 12 anos, não há adultos, e é uma discussão entre os jovens, sem filtros, não vão estar limitados", apontou Pedro Norton de Matos.
 
"Há jovens com 10, 11, 12 anos com enorme consciência e sensibilidade para estes temas e com menos filtros que os adultos", defendeu.
 
A mensagem da sustentabilidade "é transversal [e refere-se a] um modelo de desenvolvimento sempre na perspetiva que cada um de nós tem a capacidade de escolher", a partir de informação, uma opção de vida mais sustentável, realçou o mentor do Greenfest.
 
É um tema que, disse ainda, "tem muito a ver com educação cívica, com cidadania" e a sociedade atual é "muito consumista e imediatista".