Grandes veleiros conquistam público junto ao Tejo

Grandes veleiros conquistam público junto ao Tejo

Sol, vento e velas enfunadas encheram hoje o olho a milhares de pessoas que viram passar em Lisboa a regata Tall Ship Races, enchendo a foz do Tejo com centenas de veleiros de todos os tamanhos.

Com o navio-escola Sagres à cabeça, o cortejo partiu de Santa Apolónia e foi festejado ao longo de toda a margem do rio, que famílias inteiras escolheram para passar a tarde na expetativa de ver os 48 grandes veleiros de toda a Europa a levantar amarras rumo a Cádiz, onde se realiza a terceira etapa da regata.

Além dos protagonistas da regata, tudo o que era barco, a vela, a motor ou mesmo a remo, acompanhou os grandes veleiros, numa multidão de mastros e cascos a levantar espuma.

Albino Matias decidiu trazer os filhos e aproveitar para dar-lhes a conhecer "um pouco do passado e da História".

"É engraçado e é uma coisa nova. Tudo o que anda à volta do náutico e do mar, até por causa da nossa História, é muito interessante", destacou em declarações à Agência Lusa.

Mas os navios são sobretudo interessantes para olhar, afirma, confessando-se "um daqueles portugueses fraquinhos que sempre que anda de barco vomita e fica enjoado".

O panorama do Tejo cheio de velas pareceu-lhe "extraordinário", destacando que, pelo menos no caso das embarcações principais da regata, são "barcos antigos, que relembram um bocado o passado".

Evocando um passado ainda mais distante que o desenho dos grandes veleiros como os portugueses Sagres, Crioula, o britânico Lord Nelson ou o polaco Fryderik Chopin, a caravela Vera Cruz foi dos mais aplaudidos, lançando foguetes à medida que avançava rumo à barra do Tejo.

Na margem, as pessoas aplaudiam e acenavam de volta às tripulações que, perfiladas na amurada, se despediam da cidade rumo a Cádis, de onde partiram para a Corunha e daí para Dublin, onde se concluirá a regata.

Paula, uma açoriana a viver em Lisboa, recordava os dias a velejar no barco do pai nos Açores, onde viajava "entre as ilhas, a passear e a mergulhar em alto mar".

"Mas não sei manejar nada nos barcos", ressalvou, saudando a "dinâmica incrível de Lisboa", com acontecimentos como este, que "traz muita gente para a rua e para os espaços abertos".

Esta entusiasta da vela salientou que andar de barco sem motor se caracteriza pelo "silêncio", que permite "curtir o momento".

Paula afirmou que acha o Tejo "mais bonito quando é mais sereno" e se vêem os "reflexos do rio", mas admitiu que assim o rio ganhou "mais vida e mais cor".

Se o vento foi bom para velejar, não foi tão agradável para quem assistia à passagem da regata junto à Torre de Belém: vários chapéus foram ter com as tainhas ao rio e no ar revolteavam pó e ervas secas dos espaços junto ao rio, completamente despidos de relva.