Governo promete cooperar com autarquia de Loures na recuperação do Palácio Valflores

Governo promete cooperar com autarquia de Loures na recuperação do Palácio Valflores
O ministro da Cultura garantiu hoje que o Governo tem “a intenção firme” em cooperar com a Câmara de Loures na recuperação do Palácio Valflores, um dos 14 monumentos mais ameaçados na Europa, segundo a organização Europa Nostra.
 
A garantia foi deixada hoje pelo ministro da Cultura, João Soares, no decorrer de uma visita ao concelho de Loures, durante a qual visitou o palácio, que foi mandado construir no século XVI por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres, e é considerado um exemplo da arquitetura residencial renascentista em Portugal.
 
A ideia da visita é “avaliar com os meus próprios olhos algumas questões de natureza patrimonial que se colocam no concelho de Loures, e onde o Ministério da Cultura tem a intenção firme de trabalhar em cooperação com o município de Loures”, nomeadamente na reabilitação destes exemplar arquitetónico, que foi habitado até ao século XIX pela família Barros e Vasconcelos.
 
O palácio, em Santa Iria da Azóia, faz parte de uma quinta com cerca de 44.000 metros quadrados e que outrora teve olivais, laranjais e pomares de maçãs e pêras, entre outras utilizações agropecuárias até à 1.º metade do século XX, quando o imóvel foi adquirido pela família inglesa Reynolds, explicou à Lusa a arqueóloga Ana Raquel Silva, da Câmara de Oeiras.
 
O palácio, agora propriedade da Câmara de Loures, e que foi conhecido no século XX como das abóboras, está em avançado estado de degradação e com as estruturas “muito frágéis”, sendo “essencial a sua sustentação, para uma posterior intervenção”, disse a arqueóloga.
 
A sustentação do palácio tem um custo de meio milhão de euros, totalmente suportados pela câmara, disse o seu presidente, Bernardino Soares, que frisou o "empenho" da autarquia na sua recuperação.
 
A visita de João Soares, a convite de Bernardino Soares, deve ser perspetivada numa articulação da “ação do Governo central com a autarquia local”, disse o ministro.
 
O palácio Valflores “é um exemplo concreto de uma peça de património histórico, que importa para já preservar, depois reabilitar, e encontrar uma utilização compatível com a localização soberba que tem”.
 
“É nesta perspetiva que estamos aqui, para trabalharmos juntos, de uma forma fraterna e que se espera que seja dinâmica, conscientes das dificuldades com que o país está confrontado no plano orçamental”, frisou João Soares, realçando em seguida: “somos gente madura e profundamente responsável e não podemos fazer promessas que não possamos cumprir em termos dos recursos orçamentais”.
 
Para já, adiantou a arqueóloga Ana Raquel Silva à Lusa, o projeto de sustentação vai candidatar-se a financiamento europeu.
 
João Soares afirmou que o seu ministério vai constituir “uma equipa simples” com a edilidade para debater todas as possibilidades, nomeadamente o recurso a fundos europeus para a sua reabilitação.
 
“Trabalhar coma afinco”, foi a promessa deixada por João Soares que em seguida visitou a Praça Monumental, em estilo barroco, em Santo Antão do Tojal, e o Centro de Interpretação da Rota Histórica das Linhas de Torres e Museu do Vinho e da Vinha.
 
Quanto à utilização futura do palácio e quinta, Bernardino Soares disse que deve ter uma função na área da cultura.
 
O palácio está classificado como Imóvel de Interesse Público, e, em 2015, um comunicado divulgado pela autarquia, propunha a criação de um centro cultural, com uma escola de artes e ofícios e um pequeno museu para "fomentar a coesão sóciocultural e recolocar o palácio no plano de desenvolvimento urbano da região".