Governo não pretende cometer 'crime ambiental' com terminal na Trafaria

Governo não pretende cometer 'crime ambiental' com terminal na Trafaria

O secretário de Estado dos Transportes afirmou hoje que o Governo não pretende cometer nenhum “crime ambiental” com a construção de um terminal de mercadorias na Trafaria (Almada), assegurando que “há matérias” ambientais que serão “beneficiadas com a intervenção”.
Sérgio Monteiro, que falava aos jornalistas à margem da apresentação do projeto do novo terminal de cruzeiros do Porto de Lisboa, afirmou que “há matérias de natureza ambiental que muito serão beneficiadas com a intervenção” que o Governo pretende levar a cabo na margem sul do Tejo.
“Nós não queremos cometer nenhum crime ambiental, bem pelo contrário. Tem havido envolvimento do Ministério do Ambiente e das agências que dele dependem”, acrescentou, reconhecendo que este projeto, que vai concretizar-se “numa realidade projetada” e não “na realidade de hoje”, carece de “todo o cuidado e todo o rigor no planeamento”.
Por outro, acrescentou, o Governo quer “que todas as comunidades possam sentir-se confortáveis com as propostas de intervenção” que o executivo está a fazer: “Sabemos que um consenso absoluto, provavelmente, será difícil, mas queremos investir a nossa energia [nesse sentido]”, disse ainda.
“Se o calendário for aquilo que nós estamos a propor aos agentes para discussão, esse terminal estará construído entre 2019 e 2020”, concluiu.
Sérgio Monteiro disse também, a propósito do projeto do Governo de reestruturação do estuário do Tejo, no qual se enquadra o terminal de mercadorias da Trafaria, que o que está em causa é “todo um conjunto de respostas que às populações”, para “criar emprego” e “promover investimento”.
Em maio, o presidente da Refer – Rede Ferroviária Nacional, Rui Loureiro, disse no parlamento que o traçado escolhido para o caminho-de-ferro que vai servir o terminal de contentores terá de atravessar a arriba fóssil da Costa da Caparica, classificada como área protegida.
A vice-presidente da associação ambientalista Quercus afirmou na altura ser “absolutamente inadmissível” que se avance com projetos como a ligação ferroviária sem que se conheça o projeto para o porto.
A presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa (CDU), referiu então que a construção do porto de contentores naquele local “gera menos postos de trabalho do que a aposta no turismo, preconizada pela autarquia e pela população”.