Governo ativa Comissão Permanente da Seca e avança com plano de contigência

Governo ativa Comissão Permanente da Seca e avança com plano de contigência
O Governo vai ativar de imediato a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Efeitos da Seca, criada há cerca de um mês, tendo em conta a situação de seca no país e os níveis baixos das barragens.
 
Em declarações à rádio TSF, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, explica que além de ativar esta comissão, será ainda elaborado o plano de contingência para enfrentar a seca e evitar consequências mais graves a meio do verão.
 
"É preciso tomar medidas de contenção de consumos, criar regras e sobretudo alertar para a situação gravíssima que estamos a viver", afirma Carlos Martins.
 
No final de junho, cerca de 80% do território estava em seca severa ou extrema e 18 das 60 barragens do Continente iniciaram o verão com menos de metade da água que conseguem armazenar.
 
"De uma forma geral no país há motivos de preocupação e sobretudo na Bacia do rio Sado o caso já é mesmo muito preocupante", admite o secretário de Estado, em declarações à TSF.
 
De acordo com a TSF, vários concelhos do Alentejo e da Beira Interior podem chegar a agosto sem água para a população e, como tal, o Governo quer que nas autarquias mais afetadas se comecem a procurar ou reativar antigos furos de água que substituam o abastecimento que atualmente é feito, mas também que os municípios parem de regar espaços verdes.
 
O secretário de Estado do Ambiente sublinha que é preciso definir prioridades e acrescenta: "ninguém iria perceber que andássemos a regar rotundas numa altura em que há restrições de abastecimento à população ou ao gado. As rotundas não ficam com a mesma beleza... mas não são prioritárias".
 
Segundo o boletim climatológico de junho, no final do mês passado cerca de 80% do território estava em seca severa (72,3%) ou extrema (7,3%).
 
De acordo com o índice meteorológico de seca (que tem em conta os dados da quantidade de precipitação, temperatura do ar e capacidade de água disponível no solo), a 30 de junho mantinha-se a situação de seca meteorológica em quase todo o território de Portugal continental, verificando-se, em relação a 31 de maio, um agravamento da intensidade da seca.
 
Depois de um inverno com pouca chuva, a primavera também foi muito quente, seca e com uma chuva que apenas correspondeu a 75% do valor médio histórico para estes meses do ano.
 
A primavera deste ano foi a terceira mais quente desde 1931, revela o último boletim climatológico sazonal do IPMA, que dá conta de um aumento significativo da seca, especialmente nas regiões do Norte e Centro do continente.
 
De acordo com o IPMA, a temperatura média do trimestre (março, abril e maio) foi superior ao normal e o valor da temperatura máxima do ar foi o segundo mais alto desde 1931.
 
No que diz respeito à precipitação, o IPMA indica que o valor médio no trimestre foi inferior ao valor médio correspondendo a 75% do valor normal.