Golf é carro do ano em salão automóvel indiferente à crise

Golf é carro do ano em salão automóvel indiferente à crise

O Salão de Genebra apresenta novos produtos e carros de luxo que chegam a custar 3 milhões de euros, parecendo ignorar a crise no mercado europeu, segundo a agência AFP. O evento foi também aproveitado para a eleição do Carro Europeu do Ano 2013, com a escolha a recair sobre o novo Volkswagen Golf. De resto, uma escolha semelhante à do júri português do Troféu Carro do Ano, que também decidiu premiar o popular modelo da marca germânica.  

A 83.ª edição estará aberta ao público até 17 de março, quinta-feira, e será marcada por modelos de luxo que não conhecem a crise. McLaren, Ferrari e Lamborghini revelam modelos que custam entre um e três milhões de euros, mas o evento será dominado, ainda assim, por um 2012 marcado pela queda nas vendas do setor no Velho Continente e pelas fortes reestruturações na produção, preocupações que se mantêm atuais um ano depois.

As matrículas de automóveis novos na União Europeia caíram 8% em 2012 para 12 milhões de unidades e, para este ano, os construtores não esperam um declínio tão forte, apesar da queda contínua desde janeiro.

Em fevereiro, as vendas em França caíram 12,1%, enquanto em Itália atingiram os 17,4% e em Espanha os 9,8%. Mesmo a Alemanha, o maior mercado da Europa Ocidental, com um bom desempenho em 2012, não foi poupada e as vendas caíram 10,5% no mês passado.

"O mercado europeu está muito complicado", admitiu o diretor de vendas do gigante alemão Volkswagen, Christian Klingler à AFP.

A norte-americana Ford vai fechar três fábricas na Europa e não vê boas expectativas nos próximos quatro a cinco anos. "Os dois primeiros meses do ano na Europa têm sido muito dececionantes e já estamos a falar de um declínio nas vendas de cerca de 9%", comentou o presidente da Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, numa entrevista AFP.

"Tivemos um início de ano muito lento em janeiro e fevereiro parece estar ao mesmo nível", acrescentou o o presidente da Daimler (Mercedes e Smart), Dieter Zetsche, prevendo, no entanto, "uma melhoria no segundo semestre".

A PSA Peugeot Citroën, com previsão semelhante à da Renault, acredita que a concorrência deve permanecer difícil. "Não há nenhum fator que sugere que a guerra de preços vai diminuir", alertou o diretor de marcas Frédéric Saint-Geours.

Na tentativa de reverter a tendência geral, as marcas (Peugeot, Renault, Ford, Fiat, Opel, entre outras) estão a embarcar no crescente mercado dos 'Sport Utility Vehicle' (SUV) pequenos e compactos, uma tendência iniciada há alguns anos pela Nissan, com o seu Qhasqai.

Outros, nomeadamente os alemães, continuam a beneficiar de estarem nos mercado de alta gama, que resistem melhor à crise. O presidente da BMW, Norbert Reithofer, tem demonstrado um "otimismo contido" e espera uma queda nas vendas na Europa limitada a 2%.