Gastronomia ganha terreno no mercado livreiro

Gastronomia ganha terreno no mercado livreiro
A publicação de livros gastronómicos cresceu substancialmente nos últimos anos, revelaram à Lusa representantes de diferentes editoras, no âmbito da Feira do Livro de Lisboa, a decorrer até domingo no parque Eduardo VII.
 
A gastronomia voltou à ribalta na 85.ª Feira do Livro de Lisboa, ora pelas mãos das editoras - com mais títulos publicados nesta área -, ora pela organização, que reservou um espaço dedicado à apresentação destes livros.
 
O espaço "show cooking", uma das novidades da feira deste ano, assume-se como um espaço de cozinha com auditório, onde os autores confecionam as suas iguarias, depois degustadas pelo público.
 
"O objetivo é ir ao encontro de um tema que suscita cada vez mais interesse por parte do público", frisou à Lusa fonte da Associação Portuguesa dos Editores e Livreiros (APEL), que organiza o evento.
 
Para as editoras, é também a procura do público que está na origem da aposta editorial neste segmento, que se reflete num "aumento no número de títulos publicados, na ordem dos 100%, considerando os últimos três anos", referiu a responsável de comunicação da Bertrand Editora, Margarida Ferra.
 
Apesar de ser "uma área complementar na oferta editorial", também a Porto Editora refere que "a publicação de títulos para esta área de interesse tem sido elevada, provavelmente no seguimento dos vários programas de televisão relacionados e a notoriedade que os 'chefs' têm vindo a conquistar", sublinhando que a experiência na Feira do Livro tem sido "bastante positiva".
 
Justa Nobre esteve presente, no passado dia 9, na bancada do "show cooking", situado junto à rotunda do Marquês de Pombal, apresentando o livro "Paixão pela cozinha", numa edição repaginada com novas ilustrações, da primeira edição de 2011.
 
"Acho que fazia todo o sentido ser apresentado aqui [na Feira do Livro], e se é um livro de cozinha, convém fazer um miminho para dar às pessoas, para provarem aquilo que eu gosto de fazer", disse à Lusa a "chef" transmontana.
 
Questionada pela Lusa sobre o impacto das novas tecnologias na divulgação gastronómica, nomeadamente no receituário, Justa Nobre defendeu que o livro, no formato tradicional, "tem ainda muitos adeptos".
 
Além de Justa Nobre, foram vários os "chefs" que confecionaram neste espaço as iguarias descritas nos seus livros, exemplo de Gabriela Oliveira, dedicada à cozinha vegetariana, Rita Nascimentom, às sobremesas, ou Hélio Loureiro, à comida tradicional portuguesa.
 
Em regime de maior interação com o público, também são lecionados, neste espaço, 'workshops', com o objetivo de ensinar, por exemplo, a fazer sumos 'detox'.
 
Nesta edição da Feira do Livro, a APEL apostou igualmente numa maior diversidade de espaços de restauração, num total de 30 balcões "gourmet/street food", distribuídos pelo parque, dos quais 11 participam pela primeira vez.
 
A par do auditório de "show cooking", estrearam-se também na Feira do Livro iniciativas direcionadas aos mais novos, nomeadamente as noites de campismo, "Acampar com histórias", na Estufa Fria, e várias conferências com participações, entre outros, do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e do presidente da International Publishers Association, Richard Charkin.
 
Esta edição da feira registou o número recorde de 123 participantes e 271 pavilhões, o que leva a APEL a ambicionar bater também o recorde de 600.000 visitantes. No ano passado visitaram a feira 532 mil pessoas.
 
A 85.ª edição da Feira do Livro de Lisboa encerra no próximo domingo.