Fundação 'O Século' e Câmara de Lisboa estudam compensação pelo encerramento da Feira Popular

Fundação 'O Século' e Câmara de Lisboa estudam compensação pelo encerramento da Feira Popular
O presidente da Fundação O Século está em conversações com a Câmara de Lisboa para encontrar uma "solução justa" que compense o encerramento, em 2003, da Feira Popular, criada por esta entidade social.
   
"Tivemos há dias uma reunião com o Dr. Fernando Medina [presidente da Câmara de Lisboa] e a nossa posição foi clara. [...] Estamos agora em conversações para encontrar uma solução que seja justa" para a fundação, disse à agência Lusa o presidente da entidade O Século, Emanuel Martins.
 
O responsável acrescentou que, desde que a Feira Popular encerrou, em 2003, esta é a primeira vez que um presidente da autarquia se reúne com a fundação, pelo que vão continuar com "este diálogo" no sentido de garantir a sustentabilidade da entidade e "fazer justiça".
 
"Está tudo em aberto e em cima da mesa para ser apreciado", adiantou o representante, vincando que a fundação não está a "fazer finca-pé a nenhuma verba, [já que] as situações evoluem".
 
Quando a Feira Popular fechou, em 2003, a autarquia acordou pagar à fundação uma indemnização anual de cerca de 2,5 milhões de euros, correspondente à média anual de lucros do espaço de diversões, até decidir por um local onde a instituição pudesse construir um novo parque.
 
Mais tarde, o valor da indemnização seria reduzido para dois milhões de euros, tendo a câmara suspendido depois o pagamento da verba, alegando falta de dinheiro, o que deixou a fundação em grandes dificuldades de subsistência.
 
"A Câmara pagou durante quatro ou cinco anos e depois deixou de pagar. Só nos foi dito que a Câmara não tinha dinheiro e isso levou a que chegássemos a uma situação quase insustentável", admitiu Emanuel Martins.
 
Entretanto, e no meio de todo este processo, a Câmara de Lisboa cedeu à Fundação "O Século" a gestão de um posto de abastecimento de combustível em Moscavide como forma de a compensar pelo encerramento da Feira Popular, principal fonte de financiamento da sua obra social.
 
Uma compensação que, segundo disse à Lusa, em 2013, o presidente da fundação, ficou longe da verba que a exploração do antigo parque de diversões garantia.
 
A Feira Popular foi criada em 1943 para financiar férias de crianças carenciadas e, mais tarde, passou a financiar toda a ação social da Fundação "O Século".
 
Antes de Entrecampos, onde encerrou em 2003, a feira funcionou em Palhavã.
 
Hoje, 12 anos depois do encerramento, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, anunciou que o futuro parque de diversões da cidade vai abrir em Carnide num espaço de 20 hectares, "quatro vezes maior" do que era, e que deverá abrir "o mais rápido possível".