Fundação do Gil pode ficar em situação delicada

Fundação do Gil pode ficar em situação delicada

A Fundação do Gil, criada em 1999 com origem num protocolo assinado entre a Parque EXPO 98 S.A. e o então Ministério do Trabalho e da Solidariedade, é um das fundações que vai ver os apoios financeiros públicos reduzidos em trinta por cento, segundo a resolução de Conselho de Ministros publicada na terça-feira em Diário da República.

A administradora executiva da instituição, Margarida Pinto Correia, manifestou alguma estranheza com a decisão do Governo PSD/CDS, já que a fundação que gere não conta com “nenhum apoio directo” do Estado e, como tal, frisa, não deveria ser abrangida pelo corte no financiamento aplicado a outras fundações que são “estruturas criadas e fundamentadas pelo Estado”.

O “único dinheiro público” que chega à instituição, vincou a responsável, decorre de um protocolo assinado com a Segurança Social e destina-se à ‘Casa do Gil’, o primeiro centro de acolhimento temporário de cuidados intermédios de saúde para crianças e jovens carenciados – um dos projectos mais emblemáticos daquela instituição.

Pinto Correia lamenta que o Governo tenha levado a cabo um “corte transversal” e, portanto, “algo cego”, abrindo um “buraco significativo” no orçamento da ‘Casa do Gil’, na ordem dos 70 mil euros, sobretudo em tempos de crise, em que os apoios dos privados também escasseiam.

De acordo com a administradora, trata-se de um corte “bastante danoso” para a Fundação e que pode até colocar “em risco” um projecto que, ao retirar uma criança do hospital, “poupa dinheiro ao Estado”.

A Fundação do Gil, nome inspirado na mascote da Expo’98, tem dez dias para contestar a decisão e apresentar a sua “contra-argumentação”. Contudo, Margarida Pinto Correia explica que devido à extinção do seu instituidor, a Parque Expo, a instituição está numa “situação delicada e difícil”, que “não permite grandes negociações com o Governo”.

Isto porque a Fundação do Gil, precisa a sua administradora, aguarda ainda uma decisão “quanto ao seu futuro” por parte do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

A Parque Expo vai ser extinta no âmbito da análise de “racionalização de estruturas e despesas" decidida e anunciada em agosto de 2011 pelo ministério tutelado por Assunção Cristas.

“O Pavilhão Atlântico, o Oceanário, todo o património da Parque Expo são assuntos muito maiores do que o nosso, sabemos disso. Mas temos feito um ‘pressing’ apenas justo de tentar perceber quem é que vai passar a ser o nosso instituidor. Sabê-lo-emos um dia destes, temos de aguardar”, acrescenta Pinto Correia.

Contudo, a responsável salienta que essa “situação de indefinição” deixa a instituição “sem qualquer poder de intervenção” e “sem saber a quem responder em termos de decisões de fundo na estratégia da fundação”.