Fundação 'O Século' passa a ter quartos para férias de verão

Fundação 'O Século' passa a ter quartos para férias de verão

A Fundação "O Século" vai disponibilizar este verão 30 quartos nas suas instalações, em S. Pedro do Estoril, para turismo social a preços atrativos, uma forma de financiar 16 projetos sociais, disse à Lusa o presidente da instituição.
O turismo social é um dos negócios que serão lançados este ano pela fundação para financiar a obra social, depois de a Câmara de Lisboa ter deixado de pagar a compensação devida pelo encerramento da Feira Popular.
“Temos excelentes instalações, com acesso direto e exclusivo à praia” de São Pedro do Estoril, descreveu à Lusa o presidente da fundação, Emanuel Martins, referindo que haverá já este verão 12 suítes e 18 quartos, “com um preço social”.
“Pode servir para pessoas que estão em instituições de fora de Lisboa, ou para uma família que vai para o estrangeiro e os pais já não podem ir e ficam alojados num sítio onde estão confortáveis. Aqui têm alojamento e refeitório”, explicou o responsável.
Durante décadas, a obra social d’O Século foi financiada pela exploração da Feira Popular de Lisboa. Com o encerramento do parque de diversões em 2003, a fundação passou a receber uma indemnização da Câmara de Lisboa, mas há cerca de três anos esse apoio terminou.
“Ficámos com menos dois milhões de euros por ano para fazermos a nossa obra social. Isto obrigou-nos a uma reestruturação muito grande, de meios e de serviços, e a contar todos os tostões”, disse o presidente.
A autarquia lisboeta cedeu um posto de abastecimento de combustível à instituição, mas o lucro representa “cerca de um sexto ou um sétimo”. Na última década, a fundação duplicou o número de serviços sociais que presta e as necessidades de financiamento cresceram na mesma medida.
“Tínhamos de conseguir, com os meios que temos, outros meios de financiamento. Deitámos mão à capacidade instalada”, acrescentou Emanuel Martins.
Uma das soluções passa pelo fornecimento de refeições: “Temos uma cozinha extraordinária, capaz de servir mil refeições por dia e atualmente servimos cerca de 450 refeições, há aqui um excedentário que há que aproveitar. E por isso criámos um serviço de ‘take away’, junto de instituições que precisem deste tipo de resposta”, revelou.
Primeiro empresas, depois o público. A fundação está a reabilitar um edifício para poder fazer venda direta, “para quem quiser comer bem mas também ajudar uma obra social”.
A instituição vai também passar a fornecer serviços de lavandaria, engomadoria e arranjos de costura, começando por hotéis e restaurantes. Mais tarde pretende lançar um serviço de pequenas reparações domésticas, sempre a “preços sociais”.
A fundação celebra 15 anos, data que será assinalada na próxima quarta-feira numa gala no Casino do Estoril, onde pretende recolher apoios, financeiros ou materiais, individuais ou de empresas.
A obra mais emblemática é a colónia de férias, lançada em 1927 pelo diretor do jornal O Século, João Pereira da Rosa, mas a fundação tem atualmente 16 valências sociais: creche e jardim de infância, lares de acolhimento, apartamentos de autonomização para jovens, atividades de tempos livres para crianças, apoio domiciliário, apoio alimentar a famílias carenciadas, empresas de inserção profissional na área de cozinha e de limpeza, integração social de jovens e loja social.
Diariamente são abrangidos cerca de 400 utentes, entre crianças, jovens e idosos, para além de perto de 800 beneficiários anuais das colónias de férias.