Freguesias: Novos nomes deveriam ser escolhidos respeitando história e tradição

Freguesias: Novos nomes deveriam ser escolhidos respeitando história e tradição

Especialistas consultados pela Lusa defendem que os nomes das novas freguesias, resultantes da fusão de várias antigas, deverão ser escolhidos de acordo com a opinião de representantes culturais e religiosos dos respectivos concelhos.

Para o historiador das paróquias João Marques, esta “adaptação, que é mais conforme a uma realidade demográfica e, ao mesmo tempo administrativa, e tem na base critérios de natureza político-partidária”, cria “muitos problemas do ponto de vista cultural”.

“Se os topónimos são estes, como é que agora se vai harmonizar um topónimo em que se não pega verdadeiramente naquilo que é característica de cada uma das freguesias do ponto de vista de uma tradição nominal, que é histórica?”, questionou-se.

Na opinião deste especialista, “cada concelho deveria, em primeiro lugar, estudar o problema, deveriam ser ouvidas as forças do concelho mais representativas”.

“Primeiro, aqueles que têm alguma experiência do que é a administração local, depois, aqueles que têm também uma sensibilidade cultural – que não pode deixar de ser considerada nestes casos – e, por último, ouvir também um sociólogo e um historiador”, enumerou.

“É claro que eu ainda diria mais: diria que as autoridades religiosas deviam também ser ouvidas, porque a verdade é que existe uma tradição também de divisão religiosa que tem vindo a ser objecto, às vezes, de agrupamentos, e ver como é que esses problemas foram resolvidos pacificamente, que era o que importava aqui garantir”, sustentou.

“Uma decisão piramidal, do alto da pirâmide para baixo, não me parece que seja aquela que devesse ter predominância”, comentou.

Por sua vez, o professor catedrático da Universidade da Beira Interior José Ramos Pires Manso, responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da universidade, disse à Lusa que considera que a melhor solução é a adopção de nomes conjuntos que incluam os nomes de todas as anteriores freguesias.

“Dá-me a ideia que, até para não levantar tantos bairrismos – porque efectivamente há problemas de bairrismo entre as freguesias -, se calhar, a melhor forma era por agrupamento e depois indicar, por exemplo, duas freguesias ou três freguesias, o nome das freguesias, que era para nenhuma delas se sentir menosprezada em relação às outras”, defendeu. “Corre-se o risco de ficar um nome muito grande, mas parece-me que é capaz de ser a forma que levanta menos questões”, argumentou.