Filipa Vacondeus

Filipa Vacondeus

Ficou conhecida de todos como a cozinheira que tinha sempre solução para as sobras e conseguir apresentar bonitos pratos com poucos custos. Quem não se lembra do famoso ‘boneco’ de Herman José em que juntava a tudo muita ‘Paperica’ e conseguia fazer um delicioso arroz de cordéis de chouriços?

Filipa Vacondeus é assim: uma mulher simples, bem-disposta e com uma energia contagiante que, entre um tomate picado e uma cebola a aloirar, trocou dois dedos de conversa com o Jornal da Região. E sempre, mas sempre mesmo, de olho no fogão.

 

A Filipa ficou conhecida por conseguir tirar o maior aproveitamento dos alimentos…

Sim, sempre. Já há três anos fiz um livro chamado “Cozinha Low Cost”. Era um livro de cozinha muito barata e para passar muito pouco tempo na cozinha. Enfim, não liguei nenhuma ao livro, mas a verdade é que foi um verdadeiro ‘best-seller’. Vendeu 20 mil exemplares em pouquíssimo tempo, estive nos ‘tops’. Resultado: hoje continuo a apostar nesse tipo de trabalho, de dar ideias.

 

Isto numa altura de crise é importantíssimo...

Muito importante. Eu apanhei o 25 de Abril e nessa altura não havia nada. Tinha que andar sempre a inventar, a fazer arroz de pato com frango, por exemplo. Agora volto a apanhar esta crise, mas eu não sou nenhuma criancinha. Eu também apanhei o pós-guerra. Eu tinha 12 anos quando foi a II Guerra Mundial, em que nós vivíamos todos com as senhas de racionamento. Nessa altura, toda a gente era igual, não havia pobres nem ricos e todos tínhamos que viver com o mesmo, que era pouco.

 

A verdade é que os anos passam, mas a Filipa continua óptima. Qual é o segredo? Tem muito cuidado com a alimentação?

Não. Não tenho cuidado com a alimentação. A verdade é que eu não páro. Tive um cancro há cinco ou seis anos, muito grave, fiz quimioterapia, mas estou óptima. Mandei o cancro às favas. É o meu feitio. E agora, há pouco tempo, apareceu-me diabetes. Mas sabe uma coisa? Como de tudo e já não tenho diabetes outra vez. Faço todos os dias o teste e não tenho.

 

Cozinha todos os dias ou há alturas em que já não consegue ver tachos e frigideiras à frente?

Eu cozinho todos os dias. E cozinho todos os dias para não perder a mão. Hoje recebo menos gente em casa porque já não tenho paciência. Agora, quem quiser, que me convide. Convidei sempre muita gente, durante muito tempo, mas já não tenho idade para isso.

 

Que pratos mais gosta de fazer?

Cozinha tradicional de tachos. Eu sou muito boa de tachos. É muito engraçado e podem ter a certeza que comigo tudo o que for massas, arroz, guisados, fica uma maravilha.

 

O que menos gosta de fazer?

Sinceramente? O que menos gosto de fazer é essa comida moderna que parecem umas caganitas no prato. E não vou aprender a fazer isso aos 80 anos.

 

Para quando um novo livro?

Vai sair em Maio, um novo livro meu precisamente com receitas para diabéticos. Porque há muitas maneiras de solucionar os problemas e a verdade é que só não contorna os obstáculos quem não quer.

 

Texto: Ana Raquel Oliveira

Foto: Pedro Aperta