Festival de Sintra evoca Vianna da Motta

Festival de Sintra evoca Vianna da Motta

Um concerto de homenagem ao compositor José Vianna da Motta, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, abre a edição deste ano do Festival de Sintra, dedicada à "universalidade" do Romantismo. "Um festival tem que ser uma festa", nota Adriano Jordão, diretor artístico da 49ª edição do Festival de Sintra, que vai decorrer entre 20 de junho e 11 de julho.

O palco para esta "festa com características próprias" será montado nas habituais quintas históricas, palácios e salas de espetáculos do município.

O programa, além de homenagear Vianna da Motta (1868-1948), realiza-se sob o signo do Romantismo russo, focado em Rachmaninov, e lança pontes à música romântica brasileira, numa parceria com o Festival de Petrópolis, cidade geminada com a vila sintrense.

No concerto inaugural, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, liderada pelo maestro Álvaro Cassuto, apresentará a sinfonia "Á Pátria", do consagrado aluno de Franz Liszt.

O momento será aproveitado, revelou Adriano Jordão, para gravar a sinfonia num disco a editar este ano pela Naxos Records.

A obra do pianista e compositor português, que residiu em Sintra, estará presente ao longo do festival, nomeadamente na "Balada op.16", que fará parte do recital de piano de Teresa Palma Pereira, no Palácio Nacional de Queluz (21 de junho).

Uma estreia absoluta será a apresentação da peça "O Roberto Diabo de Meyerbeer op.42", no Recital de Piano a 6 mãos, no Hotel Quinta da Penha Longa (29 de junho), pelos pianistas Joana David, Nuno Lopes e João Paulo Santos.

O Romantismo russo inspirou a Maratona Rachmaninov, no palco do centro Olga Cadaval, em dois atos: com o pianista português Artur Pizarro e os brasileiros Daniel Burlet e Aleyson Scopel (2 de julho) e com o português António Cebola e o russo Alexei Sychef (3 de julho).

A Orquestra do Norte, dirigida por José Ferreira Lobo, acompanhará os solistas na apresentação da Integral dos Concertos para Piano e Orquestra do grande compositor russo, incluindo as célebres "Variações sobre um tema de Paganini".

Os dois jovens pianistas brasileiros levam à Quinta do Ramalhão dois concertos sob a temática do ADN europeu na música romântica brasileira. Aleyson Scopel toca a 25 de junho e Daniel Burlet no dia 26.

O Recital Violino e Piano Portugal-Brasil - com o Mundial de Futebol a decorrer do outro lado do Atlântico -, junta o violinista Bruno Monteiro e o pianista João Paulo Santos, ambos portugueses, na Quinta da Piedade (6 de julho).

Os portugueses predominam no Cello Status, Quarteto de Violoncelos, composto por Ajda Zupancic, Emídio Coutinho, Luís Clode e Tiago Ribeiro, na Quinta da Piedade (22 de junho).

No centro Olga Cadaval, a 9 de julho, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, com direção do reputado maestro Emil Tabakov, e a solista Ilya Grubert, protagonizam outra abordagem ao reportório russo, com o "Concerto para Violino e Orquestra" de Tchaikovsky.

"Noite em São Petersburgo", no Palácio Nacional de Queluz, encerra com chave de ouro o programa russo e o festival, com o reputado barítono Sergei Leiferkus, presença assídua nos principais palcos mundiais, desta feita ao lado da soprano Elisabete Matos e do pianista Artur Pizarro.

A 49ª edição do Festival de Sintra resulta de uma parceria entre a câmara local, o Teatro Nacional São Carlos e Opart - Organismo de Produção Artística.

Na apresentação, no MU.SA - Museu das Artes de Sintra, junto ao Centro Cultural Olga de Cadaval, estiveram presentes familiares de Olga Nicolis di Robilant, grande mecenas do festival. "Quando se fala no Festival de Sintra, fala-se na Marquesa de Cadaval", frisou o presidente da autarquia, Basílio Horta. O autarca considerou que "o festival é um grande momento para os munícipes e para a projeção de Sintra".

O vereador da Cultura, Rui Pereira, adiantou que o orçamento do festival ronda os 140 mil euros e que vão ser transmitidos concertos para espaços públicos no município, como a Quinta da Fidalga (cidade de Agualva-Cacém), o Parque Urbano Felício Loureiro (Queluz) e em local a escolher na freguesia de Algueirão-Mem Martins.