Festival de música de Sintra assinala 50.ª edição com homenagem à Marquesa de Cadaval

Festival de música de Sintra assinala 50.ª edição com homenagem à Marquesa de Cadaval
Um recital do pianista Nelson Freire vai abrir a 50.ª edição do Festival de Sintra, que decorre de 09 de maio a 07 de junho, dedicado ao Romantismo e que este ano homenageia a Marquesa de Cadaval.
 
"Profundamente envolvida no mecenato e no mundo musical, Olga Nicolis di Robilant, Marquesa de Cadaval", que dirigiu a antiga Sociedade de Concertos fundada pelo pianista e compositor Vianna da Motta, "foi uma grande impulsionadora da carreira de jovens músicos que, mais tarde, viriam a tornar-se nomes sonantes do panorama musical", indicou hoje a organização, na apresentação do festival, no Palácio de Queluz.
 
Nelson Freire, que venceu o concurso internacional Vianna da Motta, em 1964, e foi um dos jovens talentos apoiados pela Marquesa de Cadaval, no início da carreira internacional, vai inaugurar, por isso, no dia 09 de maio, a 50.ª edição do festival, com um recital no Centro Cultural Olga Cadaval, assinalando também os 70 anos do pianista.
 
No dia 10 de maio, o programa propõe um programa de "Jovens Talentos", para revelar "nomes emergentes da música clássica", como Varvara Kutusova, de 11 anos, e Alexander Malofeev, de 13 anos, adiantou o diretor artístico do Festival de Sintra, o pianista Adriano Jordão.
 
"Pensei que seria bonito fazer aquilo que a senhora Marquesa fazia, que era promover os talentos mais jovens", afirmou, na apresentação do programa aos jornalistas.
 
No segundo fim de semana, a 15 de maio, irá realizar-se um recital de música de câmara, pelo duo do violinista francês Frédéric Pelassy e do pianista de origem marroquina Ghizlane Hamadi, no Palácio Nacional de Sintra.
 
Nos dias seguintes, o Trio Aetemus e o Quarteto de Moscovo apresentam-se na Quinta da Piedade, da condessa Teresa Schonbordn, neta da Marquesa de Cadaval.
 
O Trio Aetemus é composto por músicos europeus, oriundos da Arménia, Polónia e Reino Unido, que se cruzaram em Portugal, ocupando posições nas orquestras Sinfónica Portuguesa e Gulbenkian, entre outras formações, e o Quarteto de Moscovo, criado em 1989, é o "quarteto residente" de Cascais, e reúne músicos de origem russa, fixados em Portugal, e o violetista e compositor português Alexandre Delgado.
 
Nos dias 22, 23 e 24 de maio, sob o tema "piano romântico", os músicos Anna Pavlova, Jeffrey Swann e Anastasyia Naplekova revisitam obras de alguns dos mais reconhecidos compositores da música de tradição europeia, do final do século XVIII e do século XIX, como Shubert, Liszt, Chopin, Haydn e Tchaikovsky, entre outros.
 
A organização aponta como "momento alto" desta edição, o fim de semana dedicado à Marquesa de Cadaval, com dois concertos no Palácio Nacional de Sintra.
 
O primeiro realiza-se no dia 29 de maio, com a participação do Quarteto Lopes-Graça com a pianista Olga Prats; o segundo, no dia 31 de maio, sob o lema "Evocações", que congrega "obras queridas da Marquesa", de compositores como Monteverdi, Vivaldi, Rossini, Mendelssohn e Brahms, atravessando quase toda a história da música, desde o barroco inicial.
 
Neste fim de semana de homenagem, no final de maio, realiza-se ainda "Ausências", um recital com a pianista Carla Seixas e declamação de poesia pelos atores Leonor Seixas e Paulo Pires.
 
Para fechar a edição, no último fim de semana do festival, realiza-se o Concerto Comemorativo dos 40 anos do Conservatório de Música de Sintra, no Palácio Nacional de Queluz, a 05 de junho, e o concerto de encerramento, no dia 06, no Largo Fronteiro ao Palácio Nacional de Queluz, com a Banda Sinfónica da GNR e o Coro Lisboa Cantat.
 
À exceção deste último concerto de encerramento, que será de entrada livre, todos os outros terão um custo de 10 euros, sendo que o valor reverte para o novo espaço do Conservatório de Música de Sintra.
 
Para o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, o festival serve para "projetar Sintra nas suas várias dimensões e em todo o concelho".
 
"A Cultura não deve estar restringida aos espaços habituais, tem de ir onde vivem as pessoas", concluiu.