Feira do Livro de Lisboa tenta contrariar a crise

Feira do Livro de Lisboa tenta contrariar a crise

A Feira do Livro de Lisboa tem este ano menos pavilhões e participantes, e com editoras a manifestarem prudência e optimismo face ao que os portugueses vão gastar na maior livraria ao ar livre do país.

A 82ª edição, que decorrerá até 13 de maio no Parque Eduardo VII, conta com 238 pavilhões e 112 participantes, mas a organização espera mais visitantes, com um programa cultural mais intenso e com os habituais descontos.

Para as editoras, este é o momento de maior contacto com o consumidor, dos escritores com os leitores e de apresentação de novidades editoriais.

A editora Gradiva, que tem entre os seus trunfos o escritor José Rodrigues dos Santos, estará presente com cinco pavilhões, os mesmos das edições anteriores, mas a atitude é de "prudência".

O editor Guilherme Valente disse à agência Lusa que vai "esperar pelo que acontece", no que toca ao comportamento do consumidor português de livros.

"Há dois anos que estamos a editar menos, a ser mais rigorosos na escolha dos títulos e mais prudentes nas despesas", sublinhou, referindo que em 2011 a Gradiva teve pela primeira vez uma quebra nas vendas na feira na ordem dos seis por cento.

A Gradiva tem em catálogo autores de sucesso e um conjunto de obras que interessam, por exemplo, ao público universitário, e entram na área das ciências, com obras de Stephen Hawking, Carl Sagan, Jorge Buescu e Carlos Fiolhais.

A Porto Editora, um dos maiores grupos editoriais, terá 16 pavilhões, os mesmos que em 2011, disse à Lusa o porta-voz da editora, Paulo Gonçalves.

"Se vamos ou não ter bons resultados vamos ver. Queremos que os leitores nos visitem e muitos livros são um bom pretexto para encontrar soluções para ultrapassar a crise", defendeu.

Este ano, a editora Assírio & Alvim, que tinha sido adquirida pelo grupo editorial, estará já dentro deste espaço da Porto Editora: "Vamos apresentar um óptimo catálogo para todos os seguidores habituais desta editora", sublinhou.

Sobre os eventuais impactos da crise, a Porto Editora, "tal como em anos anteriores, de condicionalismos negativos, parte sempre com uma perspectiva positiva".

Relativamente à evolução das vendas nas edições anteriores, Paulo Gonçalves indicou que tem estabilizado: "As vendas têm sido positivas e estáveis. Temos um universo editorial muito vasto, e há muitas pessoas que procuram especialmente a Feira do Livro devido aos descontos especiais que são feitos".

A Editorial Presença terá oito pavilhões, menos dois do que em 2011, mas segundo o fundador da editora, Francisco Espadinha, "apesar da crise económica e da visível quebra de vendas no mercado", a feira pode contrariar essa tendência negativa.