Estrada da Praia Grande reaberta, empresários contabilizam estragos

Estrada da Praia Grande reaberta, empresários contabilizam estragos

A estrada da frente marítima na Praia Grande, concelho de Sintra, reabriu na manhã de hoje, após mais uma madrugada de mar agitado, mas que não provocou novos danos, informou fonte da autoridade marítima.

"O mar galgou em alguns sítios, mas não fez mais estragos", afirmou o comandante da capitania do porto de Cascais, Dario Moreira, acrescentando que "não houve mais danos do que os que já existiam.

Segundo o comandante, "A maioria das pessoas acatou as orientações das autoridades policiais, até porque era óbvio o risco que corriam".

Na madrugada de domingo, o mar avançou com violência sobre a zona costeira de Sintra e um dos locais mais afetados foi a Praia Grande, onde as ondas galgaram o paredão de proteção da estrada.

A agitação marítima, explicou Ana Isabel Queiroz do Vale, diretora municipal responsável pela Proteção Civil, "foi mais forte do que em janeiro", mas ainda é difícil quantificar os prejuízos.

"Vamos avaliar [os danos] com o Ministério do Ambiente, porque há estruturas de acesso ao areal afetadas e o próprio enrocamento de proteção está danificado", disse.

A Praia Grande já tinha sofrido com a agitação marítima em 06 de janeiro.

"Foi o mesmo filme", comentou o presidente da Junta de Freguesia de Colares, Rui Santos, na comparação dos efeitos da violência do mar na madrugada deste domingo.

As ondas arrastaram para a estrada areia e pedras, danificaram bancos e floreiras em betão. Uma barraca em madeira, montada junto ao passeio, foi arrastada de um lado para o outro, até se imobilizar no meio da faixa de rodagem.

A piscina do Hotel das Arribas resistiu à força do mar. A unidade hoteleira viu inundadas a casa das máquinas e instalações junto ao tanque de água salgada. Mas só quando as condições marítimas acalmarem será possível determinar o estado em que ficou a estrutura de proteção da piscina.

"Desta vez foi mais atingido o apoio de praia", revelou Francisco Caeiro, do restaurante Angra.

"Isto é cíclico. De dez em dez anos, as ondas chegam cá acima e não há nada que se possa fazer, porque estamos numa zona de risco", admitiu o também presidente da Associação de Concessionários de Praia do Concelho de Sintra.

Francisco Caeiro alertou, no entanto, as entidades oficiais para "as exigências pedidas aos concessionários serem cada vez maiores e não haver retorno" dos investimentos.

"As seguradoras não pegam nisto", lamentou o empresário, numa alusão às dificuldades ou inexistência de seguros que apoiem os danos provocados pelo mau tempo.

O bar do Pescador, junto aos balneários de apoio à praia, também sofreu com as inundações. "A câmara é que fez as limpezas pelos meios próprios e por isso é difícil quantificar os prejuízos", notou o presidente da Junta de Freguesia de Colares.

Algumas estruturas em madeira nas praias das Maçãs e da Adraga não foram danificadas desta vez porque ainda não tinham sido repostas após ficarem destruídas no início do ano.

A capitania do porto de Cascais espera para os próximos dias, entre terça e quinta-feira, novo agravamento da agitação marítima na orla costeira do distrito de Lisboa, com ondas entre os cinco e os sete metros.