Estações a meio gás devido à greve

Estações a meio gás devido à greve
O movimento dos passageiros nas estações de comboios de Santa Apolónia e do Cais do Sodré foi hoje mais calmo devido à greve dos trabalhadores da CP - Comboios de Portugal e da Refer, mas não abrandou por completo.
 
Devido à paralisação, os painéis das informações de Santa Apolónia, interface ferroviário da Linha do Norte, apresentavam pelas 09:00 seis comboios suprimidos de um total de nove.
 
Também em Santa Apolónia, uma das principais estações de comboios lisboetas, as bilheteiras e o Gabinete de Apoio ao Cliente encontravam-se encerradas.
 
Conforme constatou a Lusa no local, era a um dos seguranças privados da estação - que se escusou a falar com a comunicação social - que os passageiros pediam informações, na sua grande maioria estrangeiros.
 
Num dos cafés da estação de Santa Apolónia, um dos empregados, que pediu para não ser identificado, explicou que “não havia tanta azáfama” como num dia habitual sem greve, talvez por as pessoas estarem precavidas e não se deslocarem à estação.
 
Já na estação ferroviária do Cais do Sodré, onde opera a Linha de Cascais, que faz a ligação entre os concelhos de Lisboa, Oeiras e Cascais, pelas 9:30 só funcionava uma das seis bilheteiras, e no painel de informação, os três comboios previstos, dois para Cascais e um para Oeiras, tinham sido cancelados.
 
Na parede, perto do Gabinete de Apoio ao Cliente, estão afixadas listas com os comboios que fazem os serviços mínimos entre o Cais do Sodré e Cascais, 27 com partida do Cais do Sodré e 18 de Cascais, entre a 01:00 e as 23:30.
 
O Gabinete de Apoio ao Cliente estava a funcionar no Cais do Sodré, mas os funcionários não tinham autorização da empresa para se pronunciarem sobre os efeitos da greve ou prestar qualquer tipo de informação à comunicação social.
 
João Costa, um dos passageiros com quem a Lusa falou e que esperava o comboio há 45 minutos, explicou que a greve “causa um transtorno grande”, nomeadamente um atraso de cerca de duas horas.
 
“Felizmente, desta vez, já estão publicados [os horários]. Até agora chegávamos aqui e não havia informação nenhuma. Chega-se muito tarde ao trabalho, para além de a viagem já ser longa, e os autocarros depois não estarem sincronizados”, explicou João Costa, garantindo ter um patrão compreensivo nestes dias.
 
O jovem adiantou que nas primeiras greves sabia o motivo dos trabalhadores, confessando que, “para ser franco”, hoje em dia já não sabe qual a razão, prevendo que tenha a ver com a privatização da empresa.
 
Apesar de compreender até determinado ponto o motivo pelo qual os trabalhadores fazem greve, sublinha que esta causa transtorno a muita gente.
 
Também Susana Rebotin utiliza a estação do Cais do Sodré para apanhar o comboio para as aulas em Cascais, disse compreender os motivos dos grevistas, salientando, no entanto, que a greve lhe está a causar atrasos no seu dia.
 
“Portugal só avança se estas coisas acontecerem [greve], se não é notada não é preciso acontecer. Até agora não vi qualquer melhoria por parte do Estado, não sei se é bom ou mau. Quer dizer, é mau para quem tem de andar de transportes”, avançou à Lusa.
 
A greve de hoje abrange trabalhadores de cinco empresas – CP, CP Carga, Refer, EMEF e Estradas de Portugal (EP), que contestam a privatização da CP Carga e da empresa de manutenção ferroviária, a fusão da EP com a Refer e a concessão de linhas da CP.
 
A paralisação está a afetar a circulação de comboios, tendo a CP adiantado, hoje de manhã, que entre as 00:00 e as 08:00 se realizaram 129 em 261 programados.
 
Também o coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS), José Manuel Oliveira, adiantou hoje à Lusa que a adesão à greve é de 75%, no que diz respeito à CP e Refer.
 
Também uma fonte da Refer, responsável pela gestão da infraestrutura integrante da rede ferroviária nacional, disse hoje à Lusa que a empresa assegurou a circulação de 122 comboios entre as 00:00 e as 08:00, um acréscimo de 47% face aos serviços mínimos decretados para aquele período da greve dos trabalhadores do setor ferroviário.