Especialistas da Educação defendem escola mais autónoma e virada para a comunidade

Especialistas da Educação defendem escola mais autónoma e virada para a comunidade
Especialistas na área da Educação defenderam, numa conferência em Oeiras, realizada na quarta-feira (dia11) que a escola deveria poder usufruir de mais autonomia e estar mais centrada na comunidade local, como forma de proteger as suas crianças.
 
Num debate sobre "Escola, responsabilidades na Promoção e Proteção da Criança - enquanto sujeito de direitos", organizado pela Comissão de Proteção a Crianças e Jovens (CPCJ) de Oeiras, o presidente do Conselho Nacional da Educação, David Justino, começou por se mostrar defensor da descentralização.
 
"Deveriamos construir a escola a partir da realidade local, a partir da base. O problema é que temos o oposto: uma escola construída a partir do Estado", afirmou.
 
David Justino sublinhou que o atual sistema de Educação é "ineficiente" e que a escola deve ser encarada como um serviço local e não um serviço público do Estado.
 
"O meu sonho é ver que a escola é uma construção social através das comunidades", concluiu.
 
O representante da Educação na Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, Pedro Cunha, reconheceu que "não há nenhum outro sistema ao qual se questione tanto como o da Educação" e que os direitos das crianças têm de ser uma cultura das escolas.
 
Pedro Cunha adiantou ainda que tem sido dada formação a todos os professores incluídos nas CPCJ e que muitos guias de orientação estão disponíveis 'online'.
 
Já José Morgado, membro do Centro de Investigação em Educação do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, afirmou que "não há uma cultura de proteção" e que "não se pode pensar na escola fora do contexto social".
 
"Era preciso que a Administração Central confiasse nas escolas e nos professores, o que não acontece", concluiu.
 
A conferência hoje realizada pretende, segundo a organização, ser um espaço de reflexão que crie impacto na consolidação de conhecimentos e no desenho da intervenção no terreno.
 
O objetivo, refere-se, é promover a discussão de ideias e desenvolver um suporte de medidas com vista à consolidação de ações que respondam à necessidade da criança enquanto sujeito de direitos.