Especialistas alertam para risco de construção de hospital em Alcântara

Especialistas alertam para risco de construção de hospital em Alcântara
Especialistas em hidráulica que estão a desenvolver o plano de drenagem de Lisboa afirmaram hoje ver com “reserva” a construção de um hospital privado em Alcântara, por esta ser uma “zona tramada” em termos de escoamento.
 
“Tenho reservas, mas não conheço [o projeto] em pormenor. Essas reservas são mais do ponto de vista do escoamento subterrâneo do que propriamente do escoamento de superfície”, disse José Saldanha Matos, um dos autores do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL), criado em 2008 e que está a ser novamente desenvolvido.
 
O responsável frisou que “é preciso, simular e estudar” as consequências da construção de um hospital privado em Alcântara, admitindo que seria melhor não ter esta infraestrutura numa “zona tramada” em termos de drenagem.
 
Saldanha Matos falava após ter sido questionado sobre o tema num encontro sobre o PGDL, organizado pela agência municipal de energia e ambiente (Lisboa E-Nova) que decorreu no Centro de Informação Urbana.
 
Já Rodrigo Proença de Oliveira, que também faz parte do consórcio a quem o plano foi adjudicado, referiu que a equipa já se reuniu com os promotores do hospital.
 
“Sei que a Câmara tinha posto uma série de obrigações a esse empreendimento. Nós reunimos e sugerimos uma série de medidas, mas agora não sei qual é o resultado final do projeto”, indicou.
 
Por seu turno, o especialista em hidráulica António Jorge Monteiro – que também integra o PDGL – relacionou a construção desta infraestrutura com a possível ocorrência de um sismo na cidade: “Um hospital colocado numa zona dessas, se a reação for de um ‘tsunami’, se calhar não pode entrar nesta contabilidade de auxiliar [os munícipes] e vai haver prejuízos”.
 
Na quarta-feira, o executivo municipal debate a delimitação da unidade de execução de Alcântara Nascente, que abrangerá as avenidas da Índia, Brasília, 24 de Julho e as ruas do Cais de Alcântara e de Cascais. Grande parte desta unidade de execução diz respeito à construção de um hospital do grupo José de Mello Saúde.
 
Na proposta, especifica-se que o objetivo é “requalificar as antigas áreas industriais maioritariamente em desuso, criando condições para a fixação de atividades terciárias prestigiadas”.
 
Outro dos objetivos é “assegurar as condições de concretização do Plano Geral de Drenagem da cidade e promover uma eficaz infraestruturação do sistema de drenagem de águas pluviais superficiais e subterrâneas”.
 
O PGDL previa, aquando da sua aprovação inicial, intervenções que nunca avançaram por falta de financiamento.
 
Em julho deste ano, o presidente do município, Fernando Medina (PS), anunciou que serão construídos dois túneis entre Santa Apolónia e Monsanto e entre Chelas e o Beato bem como um coletor entre as avenidas de Berlim e Infante D. Henrique para reduzir as inundações.
 
Em causa está um investimento de quase 180 milhões de euros, que contempla outras obras.
 
A proposta final do PGDL 2016-2030 deverá ser debatida em Câmara ainda este mês, prevendo-se que as obras comecem em 2016.
 
Também no próximo ano, Fernando Medina quer alterar a estrutura da autarquia para acompanhar este plano.