ENTREVISTA: Dead Combo recordam dez anos de vida com concerto em Lisboa

ENTREVISTA: Dead Combo recordam dez anos de vida com concerto em Lisboa

O contrabaixista Pedro Gonçalves vinha do jazz e o guitarrista Tó Trips do rock, mas juntos formaram uma nova identidade musical com os Dead Combo, que cumprem agora dez anos de existência.
O concerto para celebrar esta primeira década, terça-feira no Teatro São Luiz, em Lisboa, está esgotado e “vai ser uma coisa à antiga”, só com os dois músicos em palco, disseram em entrevista à agência Lusa.
E “à antiga” significa um regresso ao essencial dos Dead Combo: um contrabaixo e uma guitarra, amparados por duas personagens – um cangalheiro e um "gangster" - que interpretam temas nos quais ecoa música portuguesa, africana e americana e está presente uma carga meio cinematográfica.
Há dez anos, os dois músicos estavam em paralelos distintos da música independente, mas gravaram uma música para uma compilação dedicada a Carlos Paredes e perceberam que tinham afinidades.
“Não queríamos um conjunto com bateria e cantor. Queríamos que houvesse uma identidade portuguesa. De resto não havia ambições. Estávamos um bocado cansados dos meios de onde vínhamos”, afirmaram.
Em 2004, quando saiu o primeiro álbum, “Vol. 1”,  “não havia o espaço que há agora para a música portuguesa e para coisas diferentes. Esse espaço não existia. Se calhar ajudámos a abrir esse espaço”, admitiu Pedro Gonçalves.
A dupla recorda que há dez anos não se ouvia falar tanto da crise como agora, apesar de o dinheiro não abundar entre os músicos que conheciam.
“Estávamos a viver o fim dos anos de ouro. Estavam a aparecer os auditórios todos, montes de sítios para fazer coisas. Íamos tocar a qualquer lado, restaurantes, bares. Fizemos o que qualquer banda deve fazer”, reconheceram.
Hoje, quatro álbuns de estúdio depois, muitos concertos em Portugal, alguns fora do país, têm finalmente uma estrutura montada, com agenciamento e distribuição discográfica, que lhes permite consolidar o projeto.
Por estes dias, têm alguns concertos marcados em França, onde estiveram há pouco tempo a fazer promoção do mais recente álbum, “Lisboa Mulata”.
Aos jornalistas franceses explicaram o conceito do projeto, a sonoridade, as personagens que encarnam em palco, porque Dead Combo ainda é um “bocado ovni”, disse Tó Trips.
“Um dos problemas é não saberem bem onde nos encaixar: no rock, na alternativa, na world music. Têm tendência para associar a música ao fado e não tem nada a ver. Também associam à música do [Ennio] Morricone, a Tim Burton, à cidade de Lisboa”, elencaram.
A projeção internacional contou ainda com a ajuda de um programa televisivo, “No Reservations”, de Anthony Bourdain, com um episódio feito em Lisboa, no qual participaram os dois músicos.
Resultado: depois da exibição do episódio, os discos dos Dead Combo estiveram entre os mais vendidos no iTunes.
Estes casos têm permitido resultados esporádicos, mas há um trabalho de conquista que dizem estar agora a dar alguns frutos.
Em 2014 deverá sair novo álbum da banda, mas até lá darão mais concertos e deverão editar uma fotobiografia, que se junta a uma banda desenhada autobiográfica com episódios sobre os dez anos de Dead Combo que acabam de publicar.