Efeitos do temporal de 19 de Janeiro continuam a marcar a paisagem da Serra de Sintra

Efeitos do temporal de 19 de Janeiro continuam a marcar a paisagem da Serra de Sintra

Mais de um mês após o temporal de 19 de Janeiro, a Serra de Sintra continua a ostentar inúmeras marcas da intempérie que, estima-se, terá derrubado cerca de três mil árvores. Os efeitos do mau tempo que incluiu rajadas de vento na ordem dos 140 km/hora. Um pouco por todo o lado, os diversos terrenos, em especial os privados, continuam por intervencionar e assumem-se como “um barril de pólvora” se não forem limpos a tempo da época crítica de fogos florestais, a partir de 1 de Maio.

Para fazer um retrato da situação, os membros da Comissão de Segurança e Protecção Civil da Assembleia Municipal de Sintra efectuaram, no passado dia 15 de Fevereiro, uma visita aos principais pontos afectados pelo mau tempo, na Serra de Sintra. Acompanhados pelo coordenador do Serviço Municipal de Protecção Civil, Mário Louro, e pelo comandante operacional municipal, Pedro Ernesto Nunes, os autarcas começaram por constatar a devastação arbórea em plena Rampa da Pena, cuja estrada esteve cortada devido à queda de inúmeras árvores. “Para se passar a pé, foi necessário desbravar o acesso com recurso a motoserras”, evoca Mário Louro. Com condições climatéricas adversas ao longo de todo o fim-de-semana, o também comandante dos Bombeiros de Montelavar recorda que os trabalhos de desobstrução da Rampa da Pena foram interrompidos às 23h00 do dia 19 e retomados na manhã seguinte, “mas um quilómetro e meio atrás”, porque a intempérie prosseguiu durante a noite.
“Parecia um cenário de guerra”, recorda João Lacerda Tavares, administrador da Parques de Sintra-Monte da Lua, o cenário a que se assistiu na Serra de Sintra, nomeadamente nos parques históricos geridos pela empresa. Só nas propriedades da PSML, contam-se o derrube de duas mil árvores, com os efeitos a sentirem-se, com maior incidência, na área entre o Parque da Pena e o Castelo dos Mouros. Os monumentos estiveram encerrados ao longo de alguns dias e o Chalet da Condessa, aliás, continuava encerrado no dia da visita dos eleitos da mas. Esta zona do Parque da Pena foi duramente atingida, com uma árvore a destruir parcialmente a Casa do Guarda do Chalet, onde funcionava a bilheteira.
Além do prejuízo que resultou do fecho dos monumentos, como o Palácio da Pena que esteve encerrado quatro dias, a Parques de Sintra quantifica em um milhão e 200 mil euros o investimento necessário à reposição do património natural e 763 mil euros em relação ao património construído. Apesar da apresentação de candidaturas a programas de financiamento, é certo que estas verbas vão implicar o adiamento de investimentos já programados. Também o esforço de colaboradores da empresa, ao nível da manutenção dos espaços verdes, está a ser canalizado para a limpeza dos efeitos da devastação. Durante a visita, a presidente da Associação de Defesa do Património de Sintra, Adriana Jones, sugeriu o lançamento de uma subscrição pública no sentido dos cidadãos ajudarem a recuperar o património afectado pelo temporal.
Ao fim de um mês, Mário Louro frisa que “nas propriedades geridas por entidades públicas, os trabalhos estão dentro do que seria expectável, mas reconhece que há ainda há muito trabalho a fazer, em especial nos terrenos privados.”Vamos notificar, já a partir do fim do mês de Fevereiro, para que sejam feitas as limpezas até ao final do mês de Abril”. A Protecção Civil Municipal está já a efectuar um levantamento do aumento do risco de incêndio, “devido às espécies que estão nos locais”, e das árvores que representam risco de queda para pessoas e bens.
Também Nuno Anselmo, coordenador da Comissão da AMS, salienta a necessidade de “cada um assumir as suas responsabilidades no que diz respeito à limpeza dos terrenos causados por esta devastação”.
 
João Carlos Sebastião