Domingo é dia de Vasco Graça Moura no Centro Cultural de Belém

Domingo é dia de Vasco Graça Moura no Centro Cultural de Belém
O próximo domingo é dedicado ao escritor, tradutor, ensaísta e político Vasco Graça Moura, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, instituição que o autor de "Enigma de Zulmira" presidiu até à sua morte, em abril do ano passado.
 
O encontro realiza-se no pequeno auditório do CCB e abre às 15:00, com as alocuções do atual presidente do CCB, António Lamas, do ensaísta Eduardo Lourenço e do presidente do Centro Nacional de Cultura, Guilherme d'Oliveira Martins.
 
Ao longo da jornada falar-se-á do poeta e do ficcionista, do ensaísta e polemista e também do político e "homem de ação cultural", encerrando a sessão com a leitura de poemas do escritor.
 
O poeta Nuno Júdice, as investigadoras Paula Morão, Helena Buescu e Maria Alzira Seixo são alguns dos participantes na sessão, assim como o historiador José Pacheco Pereira, entre outros.
 
Ex-deputado social-democrata ao Parlamento Europeu, Vasco Graça Moura exerceu funções governativas logo após o 25 de Abril de 1974, nos IV e VI Governos provisórios, foi diretor da Radiotelevisão Portuguesa, entre outras funções, como as de administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
 
Até à sua morte, Vasco Graça Moura bateu-se sempre contra o atual Acordo Ortográfico, e como dirigente do CCB decretou o uso da grafia do Acordo de 1945, contrariando as normas do Governo.
 
Falecido aos 72 anos, Vasco Graça Moura era natural do Porto, licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa, tendo deixado de exercer advocacia na década de 1980.
 
Graça Moura tem obra publicada nas áreas do romance, poesia, ensaio, da crónica e da tradução. Neste último campo, contam-se "A Divina Comédia" e "La vita nuova", de Dante, sonetos de Shakespeare, obras de Molière, Racine, Corneille, Ronsard, Petrarca, François Villon e ainda "Cyrano de Bergerac", de Edmond de Rostand, entre outros.
 
Além de várias condecorações oficiais, como a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, recebeu mais de 20 galardões, entre os quais o Prémio Pessoa, em 1995, Prémio Internacional "La cultura del mar", em 2002, a Coroa de Ouro do Festival de Poesia de Struga, na Macedónia, em 2004, o Prémio de Tradução do Ministério da Cultura de Itália, em 2007, o Prémio Europa David Mourão-Ferreira, em 2010 e o Prémio Morgado de Mateus, em 2013.
 
Das suas obras de poesia destacam-se "Modo mudando", "Uma carta no inverno" e "Os nossos tristes assuntos"; na área de Ensaio, publicou "Luís de Camões: Alguns desafios", "Camões e a Divina proporção" e "Sobre Camões, Gândavo e outras personagens".
 
Na ficção Graça Moura é autor de "Quatro últimas canções", "Partida de Sofonisba às seis e doze da manhã ", "A morte de ninguém", entre outros títulos. E, nas áreas diarística e de Crónica, contam-se "Circunstâncias vividas" e "Contra Bernardo Soares e outras observações".