‘Dificuldades desenvolvem maior criatividade’

‘Dificuldades desenvolvem maior criatividade’

Joana Amendoeira prepara-se para actuar no Teatro Tivoli com a nata da canção nacional.
O espectáculo “Gerações do Fado”, que acontece dentro de dias no Teatro Tivoli BBVA, serviu de pretexto para uma troca de impressões entre o Jornal da Região e Joana Amendoeira. Sempre disponível, a fadista falou do novo trabalho, do que sentiu quando o Fado foi eleito Património Imaterial da Humanidade e dos tempos difíceis que Portugal está a atravessar.

Apresente-nos o seu novo CD “Amor Mais Perfeito”?
É um disco em que quis celebrar a obra e a memória de um dos maiores compositores do Fado, que foi o Mestre da Guitarra Portuguesa, José Fontes Rocha! É na sua base um disco com uma sonoridade que procurei que fosse tradicional, com o acompanhamento da guitarra portuguesa, da viola de fado e do contrabaixo, que salientasse as subtilezas que estão nas músicas compostas por este grande músico da história do Fado. Ao fazer a selecção dos 13 temas que compõem este tributo, tive o cuidado de escolher os fados escritos por grandes poetas e por pessoas de extrema importância na carreira do Mestre Fontes, como Amália Rodrigues, Manuel Alegre, David Mourão-Ferreira, Mário Raínho ou José Luís Gordo, entre outros. Para abertura e fecho deste disco não poderia deixar de registar em novas versões os dois fados que tive a honra de receber por sua mão e generosidade, o Fado Joana e o Amor Mais Perfeito.

É o seu amor maior neste momento?
Sem dúvida. Fiz este disco com todo o meu amor por uma pessoa que considerei o meu avô do Fado, a pessoa com quem mais aprendi, principalmente nos quase 10 anos de convívio no Clube de Fado e de quem sinto uma profunda saudade.

Como é que a Joana viu, no início deste ano, o Fado ser eleito Património Imaterial da Humanidade?
Foi com enorme orgulho que vi o Fado ser reconhecido, ainda mais, internacionalmente. No dia em que foi oficialmente declarado, estava de regresso de uma viagem e, mal aterrei, tomei conhecimento e senti uma enorme emoção. Fui festejar para o Museu do Fado e cheguei a participar na festa e cantar alguns fados!

Numa altura complicada para Portugal, acha que a cultura deve ser vista como um passaporte para ultrapassar dificuldades?
Penso que é nas alturas de maiores dificuldades que se desenvolve maior criatividade. Ao longo da história, vemos casos recorrentes e penso que agora também se está a viver um momento alto de grande qualidade artística, apesar da falta de apoios, subsídios ou de capacidade financeira do próprio público. Tem de haver uma política de adaptação aos tempos difíceis e creio que se consegue superar melhor as dificuldades com o apoio das populações nas artes em geral.

Como está a sua agenda? Onde a podemos encontrar?
Acabei de fazer uma pequena digressão pelo País, passámos pelo Porto, Loulé, Santarém, Lisboa, Moita e Sesimbra e temos outras datas para confirmar, em breve. De momento, continuo a fazer promoção a este novo disco, nos diversos palcos dos fóruns Fnac, até ao final do ano. Ainda no mês de Novembro, entre 20 e 26, estarei entre Creta e Atenas. E a 18 de Novembro, actuo no espectáculo “Gerações do Fado” no Tivoli com Carlos do Carmo, Celeste Rodrigues e Marco Rodrigues, entre outros.