Dias da Música fazem 'A volta ao mundo em 80 concertos' em três dias com 1700 intérpretes

Dias da Música fazem 'A volta ao mundo em 80 concertos' em três dias com 1700 intérpretes
A programação d'Os Dias da Música, que se realizam de 22 a 24 de abril, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, envolve 1700 músicos e foi hoje apresentada pela nova equipa da instituição, liderada por Elísio Summavielle.
 
"A volta ao mundo em 80 concertos" é o mote da programação da iniciativa, que mobiliza diferentes salas do CCB, além do pequeno e do grande auditório, que inclui os Mini Dias da Música, palestras e um mercado.
 
A estreia da peça "Illuminations", de Miguel Azguime, pela Orquestra de Câmara Portuguesa, sob a direção de Pedro Carneiro, no dia 24 de abril, destaca-se da programação.
 
Esta 10.ª edição dos Dias da Música inspira-se no romance de Júlio Verne, "A volta ao mundo em 80 dias", e são esperadas 20.000 pessoas, disse Elísio Summavielle, que se referiu à iniciativa como "uma marca do CCB", que tem tido "anos de sucesso" e é "uma referência" cultural de Lisboa e do país.
 
Tal como nas anteriores edições, o orçamento desta é de 500.000 euros, tendo a Câmara de Lisboa participado com 70.000 euros e a Caixa Geral de Depósitos, enquanto mecenas, com 40.000, disse Miguel Leal Coelho, do conselho de administração, segundo o qual a "evolução do público tem sido constante", apontando uma taxa de ocupação "acima dos 80%".
Um dos grupos que se estreia no certame é a Orquestra XXI, composta exclusivamente por músicos portugueses que tocam em orquestras estrangeiras e que, sob a direção do maestro Dinis Sousa, irá interpretar o concerto "Por terras da Escócia", constituído por peças de Felix Mendelssohn.
 
Outro agrupamento que se estreia é a Jovem Orquestra Portuguesa, composta por mais de cem músicos de diferentes regiões do país, que, sob a direção musical de Pedro Carneiro, apresentarão dois concertos, "O norte da Europa" e "Elogio da América". No primeiro tocam peças de Jon Leifs e Edward Elgar, no segundo, a Sinfonia "Do Novo Mundo", a nona de Dvorak.
 
Sob mote de "A volta ao mundo em 80 concertos", a proposta é, esclareceu o programador dos Dias da Música, André Cunha Leal, dar a conhecer não só diferentes estilos musicais como "proporcionar uma viagem a determinados espaços geográficos".
 
Um dos concertos que apontou como emblemático desta edição foi o da pianista Luísa Tender, "A volta ao mundo de Phileas Fogg", em que irá interpretar "Cinco variações sobre 'Rule, Britannia'", de Beethoven, uma dança, de Liszt, e o dueto final da ópera "Aida", de Verdi, "Fantasia sobre 'Aida'", de Leybach, o noturno "Pagodes, Estampes", de Debussy, "Sea pieces", de MacDowell, e "Sete variações sobre 'God save the king'", de Beethoven.
 
Outro concerto realçado por Cunha Leal foi o de encerramento, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, sob a direção musical de Domenico Longo, sendo solistas a soprano Cristiana Oliveira e a meio-soprano Cátia Moreira, que abre com a quarta marcha de "Pompa e Circunstância", de Elgar, e termina também com outra marcha do mesmo ciclo do compositor britânico, a primeira, "Land of Hope and Glory".
 
Elísio Summavielle realçou a importância de celebrar "a música como elemento de união entre os povos", e realçou a participação do duo Amal, formado por dois pianistas, um israelita e outro palestiniano, que protagonizam dois concertos, ambos intitulados "Uma parceria israelo-palestiniana".
 
Entre outros compositores, os pianistas vão interpretar os compositores Paul Ben Haim e Avner Dorman, de Israel, o árabe Wissam Jourbran, e canções populares judaicas e árabes.
 
Os Dias da Música são antecipados pelo filme/concerto "Rondó da carpideira", no cinema S. Jorge, numa parceria com o Festival IndieLisboa.
 
O filme parte da investigação do etnomusicólogo Michel Giacommetti, sobre os cantares populares de várias regiões do país - um concerto multidisciplinar com vídeo de Gonçalo Tarquínio, em que o pianista Daniel Marques e o saxofonista Mário Marques, "inspirados pelas recolhas Giacometti, improvisam num jazz muito português", explicou Cunha Leal.
 
O concerto de abertura desta edição de Os Dias da Música, é feito pela Orquestra Sinfónica Metropolitana, sob a batuta de Pedro Amaral, sendo solista o pianista Josep Colom. Serão interpretadas obras de Debussy, Falla e Rimsky-Korsakov.