De La Soul trazem 'hip hop' ao Super Bock Super Rock, em Lisboa

De La Soul trazem 'hip hop' ao Super Bock Super Rock, em Lisboa
 Os De La Soul, nome histórico do 'hip hop' norte-americano, atuam no sábado, em Lisboa, no festival Super Rock (SBSR), numa altura em que vão editar novo álbum e estão à beira dos trinta anos de carreira.
 
"É um grande choque e ao mesmo tempo uma bênção ainda andar por cá. Acho que só podemos atribuir isso aos fãs. (...) Não há muitos grupos de 'hip hop' que ainda estejam juntos, a fazer música e com o apoio dos seus fãs. Vamos ter que fazer alguma coisa especial", disse à agência Lusa David Jolicoeur, um dos elementos do trio, conhecido como Trugoy The Dove.
 
Enquanto 2017 e essa 'data redonda' de celebração não chegam, os De La Soul têm andado em digressão pela Europa, num verão que ficará marcado pelo novo álbum, "And the Anonymous Nobody", o primeiro em mais de uma década, a editar em agosto.
 
O disco novo não será ainda o prato principal do concerto no Super Bock Super Rock (SBSR), mas David Jolicoeur diz estar mais do que entusiasmado para regressar a Lisboa -- num dia em que atuam também Kendrick Lamar e os portugueses Orelha Negra e Capicua.
 
"Em sítios como Portugal, temos sempre uma resposta ao vivo tão expressiva e carinhosa por parte do público", afirmou o músico à Lusa. A última vez que os De La Soul estiveram por cá, foi em 2003.
 
O último álbum dos De La Soul, "The Grind date", saiu em 2004. Depois disso editaram algumas 'mixtapes', colaboraram com outros grupos e, mais importante para eles, terminaram o contrato com a antiga editora discográfica. Essa é uma das razões para terem demorado mais tempo a fazer um novo disco.
 
"No tempo entre os dois discos, temos estado a aproveitar essa liberdade de não estar preso a uma editora. Isso tem sido muito bom. Durante dois ou três anos fizemos o que nos apeteceu", contou David à agência Lusa.
 
Estiveram muito tempo em digressão, foram compondo em pequenas doses, mas, de resto, estiveram "a aproveitar essa liberdade": "Precisávamos desse tempo entre discos para voltar a ter essa sensação de não ser obrigado a fazer discos e fazer só porque sim", disse.
 
Sem editora, o grupo decidiu recorrer ao 'crowdfunding', através da Internet, para financiar o disco novo, mais como forma de testar a relação com os fãs do que propriamente pelo dinheiro. Acabaram por juntar cerca de 600 mil dólares, doados por mais de 11 mil fãs.
 
"Não queríamos assinar contratos com uma editora e lidar com um patrão ou dar-lhe justificações. Como tínhamos os fãs a apoiar-nos, sabíamos que tínhamos uma hipótese de conseguir e foi uma hipótese espectacular! Foi um choque, mas, ao mesmo tempo, muito lisonjeiro. Fez-nos sentir que os fãs ainda estão interessados em apoiar-nos", recordou Trugoy The Dove à Lusa.
 
Kelvin Mercer (Posdnous), David Jolicoeur (Trugoy) e Vincent Mason Jr. (Maseo) não tinham ainda vinte anos quando formaram os De La Soul, em 1987, em Nova Iorque. Hoje, a banda é considerada uma das referências do 'hip hop', pela forma eclética como uniram vários géneros musicais ao 'rap'.
 
"Somos um grupo que ganhou respeito de ouvintes muito variados. Começámos como uns miúdos e hoje somos respeitados neste meio, como 'seniores'. A Internet deu-nos a oportunidade de chegar a pessoas mais novas, que ainda não tinham nascido quando começámos! Essa relação tem durado e temos usado a tecnologia em nosso benefício", afirmou David Jolicoeur à Lusa.
 
Os De La Soul atuam no sábado, no Meo Arena, no terceiro e último dia do SBSR.