Cuca Roseta em nome próprio em Lisboa

Cuca Roseta em nome próprio em Lisboa

Nasceu fora do coração de Lisboa,mas tem dentro de si a pura alma lusitana. Cuca Roseta, com toda a simplicidade, abraça o Fado e as raízes nacionais com uma paixão ímpar e sedutora. A cantora está a preparar um disco novo, mas para já anda em espectáculos um pouco por toda a parte. E a sala intimista do Tivoli BBVA, na Avenida da Liberdade, é a próxima paragem.

A Cuca Roseta já pisou vários palcos internacionais, inclusivamente esteve há pouco tempo no Festival de Fado em Madrid, contudo é a primeira vez que se apresenta num concerto grande em Lisboa. Está nervosa?

Não há ninguém com muita paixão e respeito pelo seu trabalho que não ganhe algum pequeno nervosismo por querer dar o seu melhor. Mas quando a voz se solta à primeira nota, já não há nada a fazer, a magia acontece. Quando se canta Fado, e a melhor forma de fazer o melhor, é entregar-se ao sentimento, ao poema, à voz e à música e não pensar em mais nada, o resto fica nas mãos do Universo.

O que vai cantar aos lisboetas?

As minhas emoções, a minha verdade traduzida por uma linguagem da alma que é "O Fado" . A linguagem de alguma coisa mais feliz, mais doce, que não se explica, que se sente…. Qualquer palavra não é suficiente para descrever o acontecimento que se dá, onde e quando acontece Fado. É isso que vou fazer. Cantar o meu Fado.

Convidou dois grandes músicos nacionais: Carlos do Carmo e Pedro Abrunhosa. São, de certo, dois músicos que admira?

Sem dúvida, ambos pelo trabalho extraordinário desenvolvido ao longo da carreira, em duas áreas bem distintas e de forma bem diferente, mas dois grandes ícones com os quais tenho a honra de partilhar arte. A partilha de Arte sempre me encantou. A emoção é aumentada duas vezes. São duas artes diferentes em fusão, normalmente quando pela intenção certa, é sempre arrebatador.

Como foi chegar até aqui? Conte-nos um pouco do seu percurso...

O Fado encontrou-me, chamou-me. Aparentemente numa adolescência onde não se valorizava o Fado, como ainda acontece muito hoje. O meu primeiro encontro foi amor à primeira vista! Ou então paixão… muito provavelmente destino!

Sempre quis cantar Fado?

Sempre quis cantar Fado a partir do momento que me cruzei com este género musical pela primeira vez. O Fado tornou-se nos meus momentos de inspiração, a minha prece, o meu refúgio espiritual. Não percebi que cantar Fado podia ser partilhado com o mundo, quando o comecei a cantar. Apenas sei que me era imprescindível... o meu escape íntimo de inspiração, que mais tarde viria a ser proposto por Gustavo Santaolalla para o partilhar com o mundo. Hoje é uma paixão e inspiração que partilho com a maior honra e o maior prazer.

A Cuca não vive em nenhum bairro de Lisboa. A alma de fadista vem de onde?

Não são apenas as pessoas que nasceram nos bairros de Lisboa que têm alma. Alma, tem todo o ser humano nascido no mundo. O Fado é um tesouro nascido em Lisboa que conquistou o mundo por ser uma música da alma, que ultrapassa línguas, países, fronteiras, por isso foi tão bem reconhecido como Património Mundial da Humanidade. Mas o Fado é Português. É de Portugal. Traz no DNA a personalidade saudosista, fatalista, afectiva, melancólica, artística e até por vezes sebastianista, que todo e qualquer português carrega no seu sangue… talvez pela memória da sua extensa árvore genealógica.

A minha alma de fadista vem de ter nascido neste país, com sangue português e de ter sido feita minuciosamente para cantar esta música e para me encontrar com a mesma, mais do que me encontrar com o meu destino, encontrar-me com a minha missão. Foi para isto que nasci, senão, não seria como sou e não nasceria Portuguesa e patriota.

Para quando um novo disco?

Um novo disco está a nascer neste momento cheio de entusiasmo. Início de um novo ciclo que surgirá no início do próximo ano.

Texto: Ana Raquel Oliveira