Crianças da Cova da Moura transformam latas de conserva em máquinas fotográficas

Crianças da Cova da Moura transformam latas de conserva em máquinas fotográficas

Ensinar miúdos a fotografar com máquinas fotográficas, que os próprios constroem tendo como base latas de sardinhas, é o propósito do projeto ‘Lá Tinha’ que este mês voltou ao bairro da Cova da Moura, na Amadora.
O “Lá Tinha” começou a nascer há dois anos, no Brasil, onde Diego Bastos Cunha morava, “trabalhava na [área da] Administração e queria mudar de vida”.
A inspiração veio de uma amiga que “fazia ‘workshops’ com máquinas fotográficas que ela construía de caixas de fósforos”. “Aquilo fascinou-me e ficou-me na cabeça”, contou à Lusa.
Entretanto, Diego mudou-se para Portugal para “estudar e adquirir conhecimentos técnicos”.
Na altura sentiu “vontade de retribuir, ensinando crianças através das caixas de fósforos”.
Apresentou a ‘máquina de fósforos’ ao amigo Bob Ferraz, coautor do projeto, “no intuito de melhorar o produto”.
“Ele olhou e disse para fazermos numa lata de sardinha. É Portugal e vamos reutilizar”, recordou.
Ao perceber que “o filme cabia mesmo na lata de sardinha”, bastaram “15 dias a desenvolver o protótipo, para os miúdos poderem montar muito rápido”.
O projeto é feito por ‘carolice’. Os envolvidos são voluntários e o dinheiro gasto sai-lhes do bolso.
“Fazemos tudo com o recurso dos amigos, mão-de-obra e muito boa vontade”, referiu Diego, garantindo que “compensa”.
Contactaram uma orientadora social, a quem falaram no desejo de trabalhar na Cova da Moura. “Queríamos mudar o olhar, reciclar o olhar que as pessoas têm daqui. E nada melhor do que através do olhar de umas crianças, que são puras e querem mostrar o carro ou a escola”, disse.
No final do ano passado, realizaram a primeira oficina no bairro, com crianças entre os 12 e os 14 anos.
Este mês voltaram, desta vez para trabalharem com miúdos mais novos.
“A melhor coisa que fazemos aqui é estarmos com eles, dar um pouco do nosso tempo e receber deles”, garantiu.
Diego e os restantes voluntários estão agora a “aplicar algumas melhorias” no projeto.
“A latinha está mais fácil de montar e estamos a pensar levá-los para o processo de revelação”, contou.
Mas para isso andam “atrás de apoio para poder potencializar”.
Diego acredita que o “Lá Tinha” “tem muitas potencialidades”, revelando já terem recebido contactos de outras instituições “que querem aprender e aplicar o projeto”.
“Temos o objetivo de fazer 12 oficinas em Lisboa. Precisamos de mais apoio para podermos realizar todas e depois queremos disseminar. Queremos que o projeto vire um passa-palavra”, disse.
Depois de participar na oficina, qualquer miúdo “pode ensinar a um amigo” o que ali aprendeu e assim “criar um movimento de passa palavra e conseguir espalhar latinhas por Portugal inteiro”.